
A presença de Alicante em Cascais parte de uma afinidade que dificilmente passa despercebida: duas cidades moldadas pelo mar, com identidades distintas, mas cada vez mais ligadas pela vela, pelo turismo e por uma relação crescente com a The Ocean Race. Durante dois dias, Alicante e Cascais aproximam o Mediterrâneo e o Atlântico através de uma iniciativa que cruza gastronomia, cultura, experiências náuticas e promoção turística junto do público português.
A escolha de Cascais não surge por acaso. Alicante é, desde 2008, uma das referências centrais da The Ocean Race e voltará a acolher, em janeiro de 2027, a partida da regata à volta do mundo. Cascais integra também o percurso da próxima edição, com uma escala prevista entre maio e junho. Esta ligação desportiva cria um ponto de contacto evidente entre dois destinos habituados a viver de frente para o mar.
Alicante e Cascais ligadas pela The Ocean Race
A dimensão náutica dá assim um contexto diferente à presença espanhola em Portugal. Alicante e Cascais encontram-se num momento em que ambas procuram afirmar o mar como parte da sua identidade turística, económica e cultural. No caso da cidade espanhola, a associação à The Ocean Race prolonga-se há quase duas décadas e inclui a sede global da prova e o museu dedicado à competição.
É também neste enquadramento que Alicante procura apresentar-se ao mercado português sem ficar limitada à imagem tradicional de sol e praia. A cidade leva a Cascais uma oferta que passa pelo património, pela vida urbana, pela gastronomia, pela cultura, pelas atividades ao ar livre e pelo turismo náutico, numa abordagem pensada para diferentes épocas do ano.
O primeiro momento decorreu num encontro dirigido a profissionais do setor turístico, comunicação social, criadores de conteúdos e representantes institucionais. A sessão pretende aproximar operadores dos dois países e mostrar as possibilidades de Alicante para escapadas urbanas, experiências gastronómicas, turismo ativo e propostas ligadas ao Mediterrâneo.
Sabores que ajudam a contar o território
A gastronomia ocupa um lugar central nesta apresentação. Mojama, hueva, amêndoas, torrão e chocolate surgem entre os produtos escolhidos para dar a conhecer uma parte da identidade alimentar da região. Em vez de funcionar apenas como complemento, a mesa ajuda a explicar um território marcado pelo Mediterrâneo e por tradições que convivem com uma restauração cada vez mais diversificada.
No segundo dia, Alicante e Cascais aproximam-se também através de uma iniciativa aberta ao público no centro da vila portuguesa. A informação turística partilha espaço com imagens do destino e provas de produtos regionais, permitindo construir uma leitura de Alicante a partir de diferentes referências e não apenas das praias que habitualmente dominam a sua projeção internacional.
Alicante e Cascais entre dois mares
A relação entre Alicante e Cascais ganha especial significado quando observada à luz da próxima edição da The Ocean Race. A regata partirá de Alicante a 17 de janeiro de 2027 e chegará a Cascais meses depois, antes de prosseguir rumo ao desfecho no Mar Vermelho. O percurso coloca as duas cidades na mesma narrativa desportiva e internacional.
Para Ana Poquet, presidente do Turismo de Alicante, Portugal representa “um mercado com grande potencial”, cuja evolução tem sido acompanhada pela cidade espanhola. A responsável considera que a entrada de Cascais no percurso da The Ocean Race cria uma oportunidade para estreitar essa relação e dar maior visibilidade à ligação de Alicante ao desporto náutico.
A iniciativa procura, assim, aproveitar uma proximidade geográfica e cultural que nem sempre se traduz num conhecimento aprofundado do destino. Alicante e Cascais tornam-se, neste encontro, pontos de partida para uma conversa mais ampla sobre cidades costeiras, gastronomia, turismo urbano e experiências relacionadas com o mar.
Sem abandonar o peso das praias, Alicante procura mostrar em Portugal uma identidade mais extensa e menos sazonal. E é precisamente aí que Alicante e Cascais encontram terreno comum: no mar como cenário, mas também como elemento de cultura, desporto, mobilidade, lazer e projeção internacional.




















