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Duran Duran em Portugal quatro décadas depois, a história volta à MEO Arena

Duran Duran em Portugal regressam à MEO Arena, num reencontro que percorre quatro décadas de música, imagem e ligação ao público português.

Duran Duran em Portugal durante uma atuação ao vivo
Os Duran Duran regressam a Lisboa para atuar na MEO Arena, prolongando uma ligação ao público português iniciada nos anos 80 - ®DR

Há bandas que ficam associadas a uma canção, outras a uma época. Os Duran Duran conseguiram ficar ligados às duas e, em Portugal, acrescentaram-lhes uma memória visual que atravessou gerações. A história dos Duran Duran em Portugal começou quando a rádio, as revistas e a televisão ainda ditavam a forma como se descobria música e prepara agora um novo capítulo na MEO Arena, em Lisboa.

O concerto está marcado para 3 de novembro e prolonga uma ligação iniciada no princípio da década de 1980, muito antes do streaming, das redes sociais ou do acesso imediato a qualquer videoclipe. Naquela altura, conhecer uma banda implicava esperar por uma música na rádio, procurar uma revista ou gravar uma cassete. Os Duran Duran surgiram precisamente nesse momento de mudança.

Duran Duran em Portugal antes da explosão mundial

“Planet Earth”, primeiro single do grupo, chegou ao número um em Portugal em 1981. O álbum de estreia terá vendido cerca de 70 mil exemplares no mercado nacional, um resultado particularmente expressivo para a época e que antecipava a dimensão que o fenómeno iria atingir pouco depois.

Em outubro de 1982, já em plena Duranmania, a banda atuou duas vezes no Dramático de Cascais e uma no Pavilhão Infante de Sagres, no Porto. A chegada dos Duran Duran em Portugal aos palcos confirmou aquilo que os discos já deixavam perceber. O jornalista Nuno Galopim recordaria mais tarde aqueles espetáculos através de uma expressão simples: “a loucura Duran Duran”.

A dimensão do fenómeno não se explicava apenas pela música. “Hungry Like the Wolf”, “Rio”, “Save a Prayer” e “Girls on Film” fizeram dos videoclipes uma parte central da identidade do grupo. Simon Le Bon, John Taylor, Nick Rhodes, Roger Taylor e Andy Taylor tornaram-se rostos reconhecíveis numa altura em que a MTV começava a alterar profundamente a cultura pop.

O impacto dos Duran Duran em Portugal passou também por essa revolução visual. Tozé Brito recordaria que se “vendiam canções através da imagem dos telediscos”, enquanto Júlio Isidro destacou a adesão que os primeiros discos da banda tiveram na rádio portuguesa.

Quando a imagem passou a fazer parte da música

Para quem cresceu nos anos 80, a relação com os artistas construía-se de outra forma. Havia posters nas paredes, recortes de revistas, cassetes gravadas e a expectativa em torno da estreia de um novo videoclipe. Miguel Ângelo, vocalista dos Delfins, que viu a banda no Dramático de Cascais quando tinha cerca de 14 anos, recordaria precisamente o fascínio de esperar por esses vídeos e pelas produções cinematográficas que os acompanhavam.

Os Duran Duran conseguiram, entretanto, escapar à condição de fenómeno limitado a uma década. Em 1993, “Ordinary World” e “Come Undone” deram nova projeção ao grupo e aproximaram-no de ouvintes que não tinham acompanhado a primeira vaga da Duranmania.

Duran Duran em Portugal entre regressos e novas gerações

Depois dos concertos de 1982, a banda regressou ao país em 2005 para atuar num Coliseu dos Recreios esgotado, passou pelo Super Bock Super Rock em 2008 e voltou a Lisboa para o Rock in Rio em 2022.

A presença dos Duran Duran em Portugal foi, assim, sendo construída através de sucessivos reencontros. Cada regresso trouxe de volta parte do público original, mas encontrou também gerações que chegaram à banda através de outros discos, das plataformas digitais ou da redescoberta dos videoclipes que marcaram os anos 80.

Essa continuidade ajuda a explicar por que razão a relação dos Duran Duran em Portugal não ficou presa à nostalgia. O catálogo continua presente, a imagem mantém-se reconhecível e temas lançados há várias décadas convivem hoje com trabalhos mais recentes.

Na MEO Arena, o grupo deverá cruzar essas diferentes fases de uma carreira que ultrapassou os 100 milhões de discos vendidos e que lhe garantiu entrada no Rock & Roll Hall of Fame. A primeira parte ficará a cargo do artista luso-sueco Filipe Karlsson, que apresentará o EP “Aquele Abraço”.

O regresso dos Duran Duran em Portugal acrescentará, assim, uma nova página a uma ligação iniciada quando descobrir música exigia tempo, espera e alguma sorte. Quatro décadas depois, mudaram os suportes, mudaram as gerações e mudou a forma de ouvir. As canções, porém, continuam a encontrar público.

aNOTÍCIA.pt