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Amphora Wine Day celebra no Alentejo a tradição do vinho de talha em ano marcado pela candidatura à UNESCO

Amphora Wine Day regressa à Herdade do Rocim com o vinho de talha e a candidatura a Património Cultural Imaterial em destaque em 2026.

Participantes no Amphora Wine Day reunidos junto às talhas na Herdade do Rocim, no Alentejo.
O Amphora Wine Day reúne na Herdade do Rocim produtores, profissionais e apreciadores em torno da tradição alentejana do vinho de talha - ®DR

O vinho de talha volta a colocar o Alentejo no centro de uma tradição que atravessou gerações sem perder ligação ao presente. É nesse contexto que o Amphora Wine Day regressa à Herdade do Rocim, numa edição marcada pelo relançamento do processo de candidatura da Produção de Vinho de Talha a Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

A nona edição realiza-se a 14 de novembro e reúne produtores portugueses e internacionais, profissionais do setor e apreciadores em torno de uma prática ancestral profundamente ligada à região. O encontro assume este ano uma relevância acrescida, precisamente porque decorre num momento em que o reconhecimento cultural do vinho de talha volta a ganhar espaço na agenda.

Amphora Wine Day num momento decisivo para a tradição

O relançamento da candidatura pretende valorizar um património que não se resume ao vinho produzido. Envolve métodos, gestos, conhecimento transmitido entre gerações e uma relação com o território que continua particularmente viva no Alentejo. É também esse património imaterial que distingue o vinho de talha de outras formas de produção.

Na Herdade do Rocim, a iniciativa procura aproximar essa herança da realidade atual. O encontro junta quem trabalha diariamente com esta tradição e produtores de outras geografias que exploram diferentes formas de vinificação em recipientes de barro, criando um espaço de confronto de experiências sem retirar protagonismo à origem alentejana.

Pedro Ribeiro, enólogo e responsável pela Herdade do Rocim e mentor do encontro, sublinha essa ligação. “O Amphora Wine Day cresceu muito desde a sua primeira edição, mas mantém-se fiel à sua essência: celebrar o território e contar a história de uma tradição que marca o Alentejo”, afirma.

O responsável acrescenta que o interesse internacional não alterou o núcleo da iniciativa: “Aquilo que procuramos mostrar continua a ser muito simples: as pessoas, os saberes, o barro e a relação profunda com esta terra.”

Provas portuguesas e internacionais na Herdade do Rocim

O programa do Amphora Wine Day começa às 14h00 e inclui duas provas comentadas. A primeira, entre as 15h00 e as 16h00, é dedicada a vinhos portugueses e será conduzida por Rodolfo Tristão e Inês Salpico.

Entre as 16h15 e as 17h15, Ivo Peralta e Gabriela Monteleone orientam uma sessão dedicada a vinhos internacionais. A presença de referências de diferentes origens permite observar como o uso de recipientes de barro é interpretado fora de Portugal e como essas experiências dialogam com uma prática enraizada no Alentejo.

A dimensão internacional tornou-se, aliás, uma das marcas do Amphora Wine Day. Produtores e profissionais deslocam-se à região para conhecer o vinho de talha no seu contexto de origem, trocar experiências e compreender uma tradição que continua associada a técnicas, ritmos e saberes específicos.

Amphora Wine Day termina com a abertura das talhas

Às 18h00 chega o momento mais simbólico do encontro: a abertura das talhas. Associado à tradição de São Martinho e à chegada do vinho novo, o gesto mantém uma relação direta com o calendário vínico alentejano e com uma prática que durante séculos fez parte do quotidiano de muitas adegas e casas da região.

É também aí que o Amphora Wine Day encontra a sua imagem mais clara. Depois das provas, das conversas e da presença de produtores de vários países, o vinho volta ao centro de tudo no momento em que sai da talha e é partilhado.

Num ano em que a candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade volta a avançar, essa abertura ganha uma leitura adicional. O que está em causa não é apenas preservar uma técnica antiga, mas reconhecer uma tradição que continua a produzir vinho, conhecimento e identidade no presente.

Na Herdade do Rocim, o Amphora Wine Day regressa assim ao ponto de partida: o vinho de talha como expressão de um território e de uma prática que permanece viva, precisamente porque continua a ser feita.

aNOTÍCIA.pt