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Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026 consagram Rare Flavours e distinguem nova geração

Rare Flavours vence os Prémios de Banda Desenhada da Amadora, numa edição que distingue Beatriz Brajal e atribui um troféu a João Mascarenhas.

Capas de Rare Flavours, A Cada Sete Ondas e O Grande Poder de Chninkel, obras vencedoras dos Prémios de Banda Desenhada da Amadora 2026
Rare Flavours, A Cada Sete Ondas e O Grande Poder de Chninkel estão entre os vencedores de 2026 - ®DR

Uma criatura fascinada pela cozinha indiana levou Rare Flavours ao lugar mais alto do palmarés da Amadora. A obra desenhada pelo português Filipe Andrade, com argumento de Ram V, venceu o prémio de Melhor Obra de Banda Desenhada de Autor Português, numa edição dos Prémios de Banda Desenhada que também deu destaque a novos autores, à edição independente e a uma figura histórica do festival.

Os vencedores foram conhecidos a 18 de outubro, no Parque da Liberdade, durante o Amadora BD. Criado em 1990, o festival tornou-se uma referência da nona arte em Portugal, reunindo autores, editores e leitores em torno de exposições, lançamentos, debates e sessões de autógrafos. A entrega dos Prémios de Banda Desenhada é um dos momentos dessa programação, por colocar lado a lado trabalhos portugueses e estrangeiros e diferentes formas de publicar.

Rare Flavours conquista prémio de 10 mil euros

Editado em Portugal pela Kingpin Books, Rare Flavours acompanha um ser misterioso que percorre a Índia em busca de sabores e histórias. A gastronomia serve de entrada para uma narrativa onde se misturam memória, mitologia e elementos sobrenaturais. A colaboração entre Filipe Andrade e Ram V parte assim de um tema quotidiano para construir um universo visual e narrativo pouco convencional.

A distinção vale 10 mil euros, o dobro dos cinco mil anteriormente atribuídos ao vencedor da categoria principal. O aumento é uma das alterações introduzidas em 2026 e confere maior expressão financeira ao reconhecimento do trabalho criativo. Entre os Prémios de Banda Desenhada, esta continua a ser a distinção de maior valor monetário.

Prémios de Banda Desenhada distinguem Beatriz Brajal

A Cada Sete Ondas, de Beatriz Brajal, publicado pela Chilli com Carne, recebeu o Prémio Revelação, acompanhado, pela primeira vez, de um valor monetário de três mil euros. A atribuição distingue uma autora em início de percurso e introduz um apoio financeiro numa fase em que a visibilidade de uma obra pode fazer diferença na continuidade do trabalho.

A presença de Brajal no palmarés dá outra dimensão à edição: os Prémios de Banda Desenhada não se esgotam na consagração de nomes reconhecidos. Também acompanham a chegada de novos criadores, num meio em que pequenas editoras e projetos independentes têm um papel importante na descoberta de outras linguagens.

Dois reconhecimentos para A Fera II

A Fera II, de Zidrou e Frank Pé, editado pela A Seita, venceu a categoria de Melhor Obra Estrangeira de Banda Desenhada Editada em Portugal. O álbum recebeu ainda uma menção honrosa na categoria de Melhor Edição Portuguesa, sendo a única obra a surgir duas vezes entre os resultados deste ano.

Esse prémio de edição coube a O Grande Poder de Chninkel, de Grzegorz Rosinski e Jean Van Hamme, publicado pela Arte de Autor. O município vai adquirir 100 exemplares da obra vencedora, uma medida que acrescenta à distinção o apoio concreto à circulação do livro. Já Palácio #5, de Francisco Sousa Lobo, em autoedição, conquistou o prémio de Melhor Fanzine ou Publicação Independente, confirmando a atenção dos Prémios de Banda Desenhada a formatos fora do circuito editorial mais convencional.

João Mascarenhas e a memória do Amadora BD

O Troféu de Honra distinguiu João Mascarenhas, criador de Menino Triste, série que celebra 25 anos. O júri dos Prémios de Banda Desenhada reuniu Rui Cartaxo, Cristina Alves e Luís Louro, vencedor da principal categoria em 2025.

Na sua 37.ª edição, o Amadora BD apresenta 14 exposições e evoca aniversários de séries como Lucky Luke, Blake & Mortimer, Quarteto Fantástico e Dylan Dog. O programa estende-se a diferentes espaços da cidade, mostrando como a banda desenhada reúne universos e públicos muito distintos.

É neste encontro entre memória e descoberta que os Prémios de Banda Desenhada encontram o seu lugar. O palmarés de 2026 cruza autores estabelecidos, novos nomes e publicações independentes, refletindo a variedade de caminhos por onde a nona arte continua a avançar.

aNOTÍCIA.pt