Até sempre Paulo “Speedy” Gonçalves!

O corpo de Paulo Gonçalves, um dos melhores pilotos de sempre do motociclismo português será amanhã, sexta-feira (24), sepultado em Gemeses, sua terra natal.

Paulo “Speedy” Gonçalves
Paulo Gonçalves - ®DR/Arquivo SLB

 

Pouco importa aqui e agora enaltecer o altruísta, corajoso e tenaz desportista. Isso tem sido feito desde a sua morte no Dakar. Nunca, em vida, Paulo teve o direito a ocupar tanto tempo de antena e tantas páginas de jornais com os seus feitos.

Interessa sim, dar a conhecer o seu percurso e falar de um dos melhores pilotos de sempre do motociclismo nacional, que chegou ao top 10 e que segundo, os amigos mais chegados, era humilde, acessível e que jogava às cartas com os amigos.

Desde bem jovem que Paulo Gonçalves evidenciou a sua paixão pelas motos. O reconhecimento do seu talento levou-o à participação nas corridas de motocross e posteriormente ao supercross e enduro tendo acumulado 23 títulos.

A sua agilidade e capacidade atlética compensava a sua baixa estatura (1,68 m), quando comparado com os adversários. Devido à sua rapidez rapidamente ganhou a alcunha, que viria a ser sua imagem de marca, de “Speedy” Gonçalves.

A vinda do Rali Dakar para Portugal, em 2006, marcou o inicio das suas maratonas de todo-o-terreno, tendo passado por quatro equipas (KTM, Honda, Husqvarna e Hero). O primeiro sucesso, na prova, surgiria em 2011 ao vencer uma especial, embora tivesse vindo a abandonar na oitava etapa.

Em 2013, sagra-se campeão mundial de ralis de cross-country, sendo assim o segundo piloto português a alcançar tal feito, depois de, em 2011, Hélder Rodrigues o ter conseguido.

O seu melhor resultado no Dakar viria a surgir em 2015, ao terminar em segundo, uma especial ganha, apenas atrás do espanhol Marc Coma.

Nos anos seguintes a sorte não sorriu a Paulo Gonçalves. Em 2016, depois de vencer uma especial, abandonou à 11ª etapa. Em 2017 viria a terminar em sexto apesar de ter liderado grande parte da prova. Em 2018, devido a lesão, não participou e em 2019 foi forçado a abandonar na quinta etapa devido a queda.

Na participação deste ano, na terceira etapa, partiu o motor, tendo sido chegado a ser noticiada a sua desistência, situação que foi corrigida cerca de três horas depois, uma vez que Paulo Gonçalves estava a tentar reparar a sua moto ao mesmo tempo que aguardava que chegasse a assistência da sua equipa. Na sétima etapa, no dia 12 de janeiro, ao quilómetro 276, o piloto numero 8, Paulo “Speedy”Gonçalves, perde a vida devido a uma queda!

O Benfiquista assumido (chegou a ser patrocinado pelo clube do coração), Paulo Gonçalves, será sepultado amanhã, dia 24, pelas 16 h, em Gemeses (Esposende).

Até sempre amigo, companheiro e camarada “Speedy”.