
Na aldeia da Lapa dos Dinheiros, no coração da Serra da Estrela, há um lugar onde a tranquilidade da montanha se cruza com o conforto e a autenticidade de um projeto turístico em constante crescimento: as Casas da Lapa. A unidade, que acaba de receber uma Chave Michelin — distinção atribuída a apenas cerca de 40 hotéis em Portugal — é muito mais do que um alojamento. É, nas palavras de Maria Manuel Silva, responsável pelo projeto, “um espaço de verdade, com alma, onde se vive o território e se criam memórias”.
“A nossa ambição sempre foi mais do que oferecer estadia. Queremos ser um refúgio, um ponto de partida para descobrir a Serra da Estrela, mas também um lugar onde apetece ficar”, afirma Maria Manuel Silva.
Um dos segredos é a localização
Um dos maiores trunfos das Casas da Lapa é a sua localização — e não apenas pela paisagem. O hotel está integrado diretamente na Rota da Caniça, um percurso pedestre circular de sete quilómetros que começa e termina na aldeia, passando literalmente à porta do hotel. Pelo caminho, os visitantes encontram soutos centenários, formações rochosas como os Cornos do Diabo, lameiros, pinhais e pequenas cascatas.
“É uma das rotas mais bonitas e bem sinalizadas da região, mas pouco divulgada. Muitos hóspedes descobrem-na aqui e ficam rendidos”, conta Maria Manuel.
Mas há mais: uma cascata natural dentro da própria propriedade surpreende os visitantes, tornando-se cenário privilegiado de contemplação e fotografia — o acesso é fácil e faz parte da experiência do hotel. Já o acesso à aldeia de Lapa dos Dinheiros, com algumas estradas estreitas e curvas de montanha, pode parecer desafiante para quem chega pela primeira vez. Ainda assim, isso não afasta os hóspedes. “Temos quem nos diga que, mesmo vindos dos EUA ou do Canadá, não se sentem perdidos. E, se necessário, vamos mesmo ao encontro de quem se sente inseguro na chegada”, garante Maria Manuel Silva.
Reconhecimento internacional
A atribuição da Chave Michelin veio reforçar o reconhecimento do projeto. “É uma distinção totalmente independente, que valoriza o serviço, o acolhimento, o cuidado com os detalhes. Deu-nos visibilidade e trouxe mais hóspedes internacionais”, afirma Maria Manuel.
Mas, para a equipa, o verdadeiro prémio é outro: o regresso dos hóspedes. “Temos famílias que vêm todos os anos, algumas até várias vezes por ano. Sentem-se em casa. Para nós, isso é o mais gratificante”, sublinha.
No prato: tudo com sabor a Serra
Nas Casas da Lapa, a experiência é pensada ao pormenor. A gastronomia, por exemplo, é um dos grandes destaques. A chef Sofia Cardoso, natural da aldeia vizinha de Cabeça, está no projeto desde a sua reabertura. Com uma cozinha de conforto, baseada nos produtos e tradições da região, conquista pelo sabor e pela memória.
“A Sofia cresceu a cozinhar com as avós. Conhece os legumes da época, muitos vêm da sua horta. Isso nota-se nos pratos — são simples, autênticos, com identidade”, realça Maria Manuel.
Os ingredientes também contam: o pão artesanal vem da reconhecida Padaria Brutalista, os queijos da Queijaria Ferreira da Estrela, feitos pela jovem produtora Ana Batista. Tudo local, tudo escolhido com critério.
Uma oferta pensada para famílias e para o futuro
A poucos metros do edifício principal, as Casas do Soito — duas moradias T2 com jardim e piscina — ampliam a oferta para famílias, mantendo o acesso aos serviços do hotel.
Com uma taxa de ocupação elevada nas épocas altas (verão e inverno), o grande desafio agora passa por otimizar os períodos de menor procura e prolongar a estadia média. A estratégia está traçada: reforçar a ligação à natureza e promover um turismo de bem-estar, sustentado e fora dos grandes centros.
“Tudo aponta para uma tendência de crescimento no turismo de natureza. As pessoas procuram mais do que descanso: querem tempo, silêncio, ligação. É aí que queremos continuar a crescer”, conclui Maria Manuel Silva.
Casas da Lapa é, no fundo, um nome que começa a confundir-se com o próprio destino. Um lugar onde o requinte se mede em pormenores, o tempo corre mais devagar e a natureza não é apenas cenário — é essência.
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