
A mil metros de altitude, longe das margens do rio que dominam os roteiros turísticos, prepara-se um novo empreendimento hoteleiro no Douro. Chama-se KURA, terá cinco estrelas e pretende receber hóspedes ao longo de todo o ano, mesmo nos meses mais frios. A abertura está prevista para 2029 e assinalará a chegada da BOA Hotels a uma região onde o vinho continua a marcar a paisagem, mas já não define, por si só, a experiência turística.
O futuro resort ocupará uma propriedade histórica de 26 hectares, com vinhas e pomares, no Alto Douro. Terá 70 quartos e suites, mas é sobretudo na oferta de bem-estar que o projeto procura distinguir-se. Em vez de concentrar a proposta nas visitas às quintas e nas provas de vinho, a BOA Hotels quer dar aos hóspedes motivos para permanecer na região também durante o inverno.
BOA Hotels prepara spa de dois pisos no KURA
No centro do empreendimento estará um spa com dois pisos e oito salas de tratamentos. A programação deverá incluir diferentes práticas de recuperação física e mental, sob orientação de Adília Ferreira, profissional com mais de 25 anos de experiência em terapias de som, ioga tibetano e técnicas ayurvédicas.
A vertente gastronómica terá igualmente expressão no projeto. Estão previstos um bar e um restaurante inspirado no conceito farm-to-table, assente na utilização de produtos locais. A produção vitivinícola da propriedade será integrada na experiência dos hóspedes, numa ligação à identidade do Douro que o BOA Hotels pretende preservar sem fazer do vinho o único motivo da estadia.
A arquitetura ficará a cargo do estúdio FAT – Future Architecture Thinking, liderado por Miguel Correia, enquanto os interiores serão desenvolvidos pelo Ingrid Aparicio Studio. A integração dos edifícios na envolvente é um dos objetivos anunciados. Numa fase posterior, o complexo deverá incluir também villas privadas, apresentadas como residências de marca.
BOA Hotels aponta para 100 novos empregos
O impacto do KURA será também medido fora das instalações hoteleiras. O grupo estima criar cerca de 100 postos de trabalho e afirma que pretende recorrer a profissionais e fornecedores da região. A concretização dessa previsão dependerá, naturalmente, do avanço do empreendimento e da sua entrada em funcionamento.
«A nossa empresa nasceu em Portugal, e por isso será um projeto português em todos os sentidos. O nosso compromisso mantém-se a longo prazo: com a propriedade, com as equipas que aqui irão trabalhar e com a região que nos acolhe», afirma Lior Zach, fundador e managing partner da BOA Hotels.
A abertura deverá acontecer de forma gradual, em 2029, num regime de soft opening. Permanecem por divulgar o valor do investimento, as etapas da construção e a data prevista para a chegada dos primeiros hóspedes. Também não foram anunciados preços para as estadias.
Do Porto à Grécia antes da estreia no Douro
O KURA não será, porém, a próxima inauguração do grupo. A BOA Hotels estreou-se na hotelaria com o Village by BOA, em funcionamento no Porto desde 2022, e prepara agora a primeira unidade internacional. O OSCURO, boutique hotel em desenvolvimento na ilha de Paros, na Grécia, tem abertura prevista para 2028.
Se o calendário for cumprido, a unidade duriense será o terceiro projeto da empresa e o segundo em Portugal. O percurso reúne três contextos distintos: a cidade do Porto, uma ilha grega e uma propriedade de montanha no Alto Douro.
É neste último cenário que o BOA Hotels procura instalar o KURA. A localização a cerca de mil metros de altitude, os 26 hectares de terreno e a aposta em receber hóspedes durante o inverno são os elementos que distinguem, para já, um empreendimento cuja concretização está prevista para 2029.





















