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Cartas de Desamor marca o reencontro de Luísa Sobral com a música tradicional portuguesa

Cartas de Desamor aproxima Luísa Sobral da música tradicional portuguesa, num oitavo álbum que chega no ano dos seus 15 anos de carreira.

Capa de Cartas de Desamor, com Luísa Sobral a apoiar o rosto na mão sobre um fundo cinzento texturado
«Cartas de Desamor» aproxima Luísa Sobral da música tradicional portuguesa - ®DR

Com produção de Ricardo Dias e participações de Vitorino, A Garota Não e Sopa de Pedra, Cartas de Desamor, cruza a escrita da cantautora com ritmos e percussões da cultura popular. As letras e a canção de autor continuam no centro, agora enquadradas por outras referências musicais.  Entre as primeiras canções de apresentação estão «Felicidade» e «Não sei quem sou», dois temas que introduzem a mudança musical e as questões pessoais que acompanham este trabalho.

As letras e a canção de autor mantêm-se no centro da proposta, agora em diálogo com ritmos e percussões da cultura popular portuguesa. O lançamento surge após um período de maior introspeção e dá continuidade a um percurso em que a compositora tem procurado diferentes formas de trabalhar as suas canções.

«Não sei quem sou» apresenta Cartas de Desamor

O segundo single, «Não sei quem sou», parte da parentalidade para abordar a identidade individual. O tema detém-se no momento em que, depois de uma longa dedicação aos outros, é necessário voltar a olhar para os próprios desejos e reconhecer o que mudou.

«A canção fala do momento em que paramos e olhamos para dentro após um longo período dedicado à parentalidade e à vida fora de nós», explica Luísa Sobral.

A autora desenvolve essa reflexão ao descrever as perguntas que deram origem ao tema: «Esta canção faz-nos tentar lembrar quem éramos antes de tudo isso, quem somos agora, e deixa-nos a pensar se somos verdadeiramente felizes ou se ainda iríamos a tempo de tentar outra vez.»

Na explicação da cantautora, o olhar sobre o passado acompanha uma interrogação sobre o futuro. A canção questiona a felicidade e a possibilidade de voltar a tentar, sem separar essas dúvidas das mudanças que a parentalidade introduz na vida de cada pessoa.

«Não sei quem sou» sucede a «Felicidade», que já tinha revelado a aproximação de Cartas de Desamor à música tradicional. Nascida do pulsar de um adufe, essa primeira canção apresentou o regresso da alegria depois de uma fase de introspeção.

Cartas de Desamor com Ricardo Dias e vozes convidadas

A produção de Ricardo Dias, que trabalhou com Fausto e Vitorino, enquadra esta procura de outras referências musicais. A presença dos ritmos e das percussões tradicionais acompanha a escrita de Luísa Sobral, preservando a atenção às letras que caracteriza a apresentação do projeto.

Vitorino participa também como convidado em Cartas de Desamor, ao lado de A Garota Não e Sopa de Pedra. O disco reúne, deste modo, vozes de diferentes percursos num trabalho que aproxima a composição contemporânea da cultura popular portuguesa.

A mudança é assumida pela própria autora: «é algo diferente de tudo aquilo que já fiz, mas essa é a magia da arte, a possibilidade de nos reinventarmos a cada novo projeto».

De «Amar pelos Dois» a Cartas de Desamor

A edição coincide com os 15 anos de uma carreira discográfica iniciada em 2011 com «The Cherry on My Cake». Nesse álbum de estreia, Luísa Sobral compunha sobretudo em inglês, embora o português já estivesse presente em dois originais e numa versão de «Saiu para a Rua», de Rui Veloso.

Seguiram-se trabalhos como «There’s a Flower in My Bedroom», «Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa» e «Luísa». Este último, editado em 2016, foi gravado em Los Angeles com o produtor Joe Henry e contou com Marc Ribot nas guitarras.

Em 2017, Luísa Sobral assinou a letra e a música de «Amar pelos Dois», interpretada pelo irmão, Salvador Sobral. A canção conquistou a primeira vitória de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, marcando o percurso da cantautora e a história da música portuguesa.

A discografia prosseguiu com «Rosa», «Camomila» e «DanSando», antes da chegada de Cartas de Desamor. Neste novo capítulo, a compositora leva para palco um repertório em que a vontade de mudar se faz ouvir nas palavras e nas escolhas musicais.

Os concertos de apresentação de Cartas de Desamor estão marcados para 11 de novembro de 2026, às 21h00, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e 16 de novembro, às 21h30, na Sala Suggia da Casa da Música, no Porto.

aNOTÍCIA.pt