
No Parque Eduardo VII, em Lisboa, uma pequena quinta com horta, pomar, galinhas e compostagem vai coexistir com oficinas de reparação, debates, showcookings, trocas de roupa e livros e experiências ligadas à mobilidade. É neste cenário que a Cidade do Zero propõe, durante dois dias, uma leitura prática da sustentabilidade, aproximando o tema das decisões correntes de quem vive, consome, cozinha, se desloca e habita a cidade.
A quarta edição realiza-se a 19 e 20 de setembro e instala-se pela primeira vez no Parque Eduardo VII, depois de ter passado pelo Pavilhão do Conhecimento, Centro Cultural de Belém e Tapada da Ajuda. A organização estima ter recebido cerca de 25 mil visitantes em 2024 e apresenta agora uma edição com cerca de 15 mil metros quadrados, integrada na Semana Europeia da Mobilidade e coorganizada pela Câmara Municipal de Lisboa.
Cidade do Zero leva o conceito para a prática
A programação da Cidade do Zero distribui-se por quatro palcos — Principal, Mobilidade, Casa e Desperdício — e cruza temas como alterações climáticas, transição energética, economia circular, materiais de construção, eficiência energética, mobilidade urbana e desperdício alimentar.
Entre os participantes estão especialistas, investigadores, responsáveis empresariais e representantes de organizações ligadas ao ambiente e às cidades. No Palco Mobilidade, integrado na Semana Europeia da Mobilidade, a discussão incide sobre deslocações, espaço urbano, acessibilidade e soluções que poderão influenciar a forma como as cidades organizam o movimento de pessoas. Vasco Anjos, Francisco Ferreira, Duarte Costa, Catarina Brazão Farinha, João Appleton e Ana Almeida integram uma programação que coloca em diálogo diferentes perspetivas sobre os desafios ambientais e urbanos.
João Barreiros, da organização, resume a intenção do encontro ao afirmar que “a sustentabilidade não é um conceito distante nem reservado a especialistas”. A ideia ganha tradução concreta nas oficinas, onde será possível reparar roupa, pequenos eletrodomésticos, aparelhos eletrónicos, objetos cerâmicos e bicicletas, ao lado de workshops sobre consumo, circularidade, alimentação e utilização de materiais.
Na Cidade do Zero, as atividades para crianças, as sessões dedicadas à biodiversidade e as propostas relacionadas com animais de companhia completam uma programação desenhada para públicos distintos, sem separar a discussão ambiental das rotinas familiares.
Uma microquinta no centro de Lisboa
Entre os espaços mais singulares desta edição está a microquinta criada pela HortasLX. A Cidade do Zero vai ocupar uma parte do parque com uma estrutura que reúne horta, pomar, galinheiro móvel, compostagem e áreas de partilha, mostrando como pequenos sistemas de produção alimentar e regeneração de recursos podem ser adaptados ao meio urbano.
A programação inclui visitas guiadas e oficinas sobre permacultura em vaso, substratos biológicos e cultivo, além de atividades infantis pensadas para aproximar os mais novos da terra e da produção de alimentos. O espaço permite ainda abordar, à escala reduzida, temas como biodiversidade, aproveitamento de resíduos orgânicos e produção local.
A alimentação surge igualmente como um dos eixos do evento. Na Cidade do Zero, os showcookings abordam preparação antecipada de refeições, redução do desperdício, fermentação e possibilidades de alimentação futura, aproximando escolhas alimentares de questões ambientais e de gestão de recursos.
Trocar, reparar e prolongar a vida dos objetos
Outro dos eixos centrais passa pela reutilização. O mercado de trocas permite circular roupa, livros, plantas e outros artigos, enquanto a zona de reparações procura contrariar a substituição imediata de objetos que ainda podem ter utilidade. A Cidade do Zero reúne ainda mais de uma centena de marcas e projetos associados a alimentação, casa, bem-estar, moda, mobilidade e economia circular.
O evento funciona entre as 10h00 e as 19h30 e tem entrada gratuita, sem necessidade de inscrição prévia na generalidade das atividades. A Cidade do Zero regressa assim a Lisboa com maior dimensão e uma programação que cruza debate, aprendizagem e experimentação, procurando mostrar como decisões aparentemente pequenas — reparar, reutilizar, desperdiçar menos ou produzir de outra forma — podem alterar a relação quotidiana com os recursos.




















