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Porto Ferreira Colheita traz à luz três vindimas guardadas durante décadas

Porto Ferreira Colheita reúne as vindimas de 2001, 2006 e 2008, após décadas de envelhecimento em madeira nas caves de Vila Nova de Gaia.

Três garrafas de Porto Ferreira Colheita, das vindimas de 2001, 2006 e 2008, diante dos cascos de carvalho nas caves
Porto Ferreira apresenta três Colheita de 2001, 2006 e 2008, envelhecidos durante décadas em cascos de carvalho - ®DR

Três anos de vindima, separados por condições climáticas bem diferentes, chegam agora ao mercado depois de uma longa passagem por cascos de carvalho. O Porto Ferreira Colheita apresenta as edições de 2001, 2006 e 2008, envelhecidas nas caves de Vila Nova de Gaia. Para perceber o que distingue cada uma, é preciso recuar ao que aconteceu nas vinhas do Douro antes de os vinhos iniciarem o seu percurso em madeira.

Disponíveis desde o final de setembro, estas referências pertencem à categoria Colheita, reservada a Vinhos do Porto de uma única vindima, com um envelhecimento mínimo de sete anos em madeira. Aqui, a permanência em casco foi muito superior: aproximadamente 25, 20 e 18 anos, respetivamente. A data no rótulo identifica a vindima, não o ano em que o vinho foi engarrafado. Essa distinção é importante para quem associa a idade de um Porto apenas aos anos passados depois do engarrafamento.

Porto Ferreira Colheita entre o Douro e Gaia

A história começa nas Quintas do Porto e do Caêdo, de onde vieram as uvas, e prossegue na Adega da Quinta do Seixo, responsável pela vinificação. Só depois os vinhos seguiram para as caves de Gaia. Aí, permaneceram em cascos de carvalho de 635 litros, com uma evolução lenta em que o contacto gradual com o oxigénio altera os aromas, a cor e a textura.

O mais antigo, Porto Ferreira Colheita 2001, nasceu após um inverno muito chuvoso. O verão trouxe condições mais favoráveis à maturação e a vindima decorreu maioritariamente com tempo seco. O vinho apresenta hoje complexidade aromática, profundidade e notas balsâmicas, características que o produtor associa ao longo estágio em madeira. O preço recomendado é de 60 euros.

Em 2006, o desafio foi outro. O calor do verão antecipou a apanha e exigiu maior cuidado na seleção das uvas. No Porto Ferreira Colheita 2006, essa campanha deu origem a um perfil que combina maturidade e frescura, com intensidade aromática e um final de prova prolongado. Chega ao mercado com um preço recomendado de 45 euros.

Dois anos depois, temperaturas relativamente frescas permitiram uma maturação mais demorada. Essa evolução ajudou a preservar a acidez natural das uvas. No Porto Ferreira Colheita 2008 sobressaem, segundo as notas divulgadas pela marca, a frescura e a elegância. É o mais jovem dos três vinhos, com um preço recomendado de 40 euros.

O olhar do enólogo sobre o Porto Ferreira Colheita

“O que torna um Colheita verdadeiramente único é o facto de captar o caráter irrepetível de um ano”, afirma Luís de Sottomayor, diretor de Enologia da Sogrape para os Vinhos do Douro e Porto. A comparação entre estas edições ajuda a perceber o alcance da afirmação: o vinho de 2001 é descrito pelas notas balsâmicas, o de 2006 pelo equilíbrio e o de 2008 pela frescura.

No Porto Ferreira Colheita, há outro aspeto que merece atenção. Num Vinho do Porto Colheita, o envelhecimento decorre sobretudo em madeira, antes do engarrafamento. É durante esse período que a oxidação gradual contribui para desenvolver aromas e suavizar a estrutura. Por isso, a idade de uma colheita não deve ser confundida com o tempo que a garrafa passou guardada numa garrafeira.

Três edições com origem identificada

As novas referências Porto Ferreira Colheita chegam a garrafeiras e pontos de venda selecionados, numa edição limitada. A Sogrape refere ainda que as uvas foram produzidas segundo diretrizes de Produção Integrada de Agricultura Sustentável, um conjunto de práticas de gestão agrícola orientadas para uma utilização mais criteriosa dos recursos e dos tratamentos na vinha.

A apresentação reúne vinhos de três campanhas que exigiram respostas diferentes na vinha e na adega. Ao chegar ao mercado tantos anos depois, cada garrafa conserva no rótulo a data que lhe deu origem; no copo, revela o resultado de um percurso que começou no Douro e prosseguiu nas caves de Gaia.

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