
A escolha de um vinho para acompanhar queijo costuma começar pelo tinto. Mas será essa a opção mais acertada quando entram na mesa queijos com diferentes texturas, intensidades e tempos de cura? É a partir desta dúvida que vinhos e queijos alentejanos se encontram numa prova que pretende confrontar hábitos antigos com combinações menos previsíveis.
O encontro está marcado para 24 de outubro, às 10h00, na Sala Ogival da ViniPortugal, em Lisboa. Integrada no ciclo «Provar é Saber», promovido pelos Vinhos do Alentejo, a sessão tem curadoria de Edgardo Pacheco e junta vinhos da sub-região da Vidigueira a queijos DOP de Serpa, Nisa e Évora, além de outras especialidades alentejanas.
Vinhos e queijos alentejanos sem combinações obrigatórias
A resposta não depende apenas de escolher entre branco e tinto. Um queijo de sabor delicado exige cuidados diferentes dos de uma pasta intensa e prolongada na boca. A gordura, o sal e a maturação influenciam a experiência, tal como a acidez, os taninos, o corpo e os aromas do vinho.
É nesse equilíbrio que as escolhas habituais podem ser postas à prova. Alguns tintos, sobretudo quando apresentam taninos marcados, podem criar contrastes pouco favoráveis com determinados queijos. Em contrapartida, há brancos cuja acidez e estrutura oferecem alternativas interessantes. Outros, com estágio e maior volume de boca, permitem explorar combinações distintas. A prova de vinhos e queijos alentejanos procura precisamente mostrar como estas diferenças se manifestam no paladar, sem estabelecer vencedores antecipados.
A Vidigueira para lá da Antão Vaz
A origem dos vinhos ajuda a compreender a diversidade da sessão. Na Vidigueira, a Antão Vaz ocupa um lugar de destaque entre as castas brancas. Conforme a vinificação e o estágio, pode dar origem a perfis distintos, o que permite explorar várias possibilidades de acompanhamento.
A paisagem vitivinícola também tem particularidades próprias. A presença da Serra do Mendro, a ondulação do relevo e a diversidade de solos contribuem para caracterizar esta sub-região do Alentejo. Contudo, reduzir a Vidigueira aos brancos seria deixar de fora outra parte da sua produção.
Os tintos de castas como Alfrocheiro, Trincadeira e Tinta Grossa entram igualmente na prova. A sua presença é importante porque permite comparar vinhos com estruturas e expressões aromáticas diferentes perante os mesmos tipos de queijo. Assim, vinhos e queijos alentejanos deixam de ser uma associação genérica para dar lugar a combinações concretas.
O barro também tem uma palavra a dizer
Entre os estilos escolhidos figura o vinho de talha, cuja ligação à Vidigueira, particularmente a Vila de Frades, atravessa séculos. A fermentação e conservação em recipientes de barro prolongam uma tradição associada à presença romana, que continua viva na produção local.
Hoje, essa herança convive com diferentes interpretações, abrangendo brancos, tintos e combinações de castas. A inclusão destes vinhos acrescenta outra dimensão à sessão: perceber como métodos de produção distintos se refletem no encontro entre vinhos e queijos alentejanos, sem reduzir a discussão à divisão entre brancos e tintos.
Vinhos e queijos alentejanos com três DOP em destaque
Do lado dos queijos, Serpa, Nisa e Évora trazem três denominações de origem protegida com identidades próprias. São diferenças relevantes para a harmonização: a consistência, a intensidade e a persistência de cada queijo alteram a forma como o vinho é percebido.
Sob orientação de Edgardo Pacheco, os participantes vão poder comparar essas reações durante a degustação. O interesse está nas diferenças entre cada combinação, não na procura de uma receita universal para servir vinhos e queijos alentejanos.
A sessão custa 35 euros por pessoa, com bilhetes disponíveis na plataforma 3cket. O ciclo «Provar é Saber» continua a 28 de novembro com enchidos e presunto, a 19 de dezembro com açordas e a 30 de janeiro de 2027 com carne de porco.
No final, a pergunta que levou vinhos e queijos alentejanos à mesma mesa continuará a ter uma resposta dependente da prova: o tinto poderá ser uma escolha, mas dificilmente será a única.



















