
Com produção de Ricardo Dias e participações de Vitorino, A Garota Não e Sopa de Pedra, Cartas de Desamor, cruza a escrita da cantautora com ritmos e percussões da cultura popular. As letras e a canção de autor continuam no centro, agora enquadradas por outras referências musicais. Entre as primeiras canções de apresentação estão «Felicidade» e «Não sei quem sou», dois temas que introduzem a mudança musical e as questões pessoais que acompanham este trabalho.
As letras e a canção de autor mantêm-se no centro da proposta, agora em diálogo com ritmos e percussões da cultura popular portuguesa. O lançamento surge após um período de maior introspeção e dá continuidade a um percurso em que a compositora tem procurado diferentes formas de trabalhar as suas canções.
«Não sei quem sou» apresenta Cartas de Desamor
O segundo single, «Não sei quem sou», parte da parentalidade para abordar a identidade individual. O tema detém-se no momento em que, depois de uma longa dedicação aos outros, é necessário voltar a olhar para os próprios desejos e reconhecer o que mudou.
«A canção fala do momento em que paramos e olhamos para dentro após um longo período dedicado à parentalidade e à vida fora de nós», explica Luísa Sobral.
A autora desenvolve essa reflexão ao descrever as perguntas que deram origem ao tema: «Esta canção faz-nos tentar lembrar quem éramos antes de tudo isso, quem somos agora, e deixa-nos a pensar se somos verdadeiramente felizes ou se ainda iríamos a tempo de tentar outra vez.»
Na explicação da cantautora, o olhar sobre o passado acompanha uma interrogação sobre o futuro. A canção questiona a felicidade e a possibilidade de voltar a tentar, sem separar essas dúvidas das mudanças que a parentalidade introduz na vida de cada pessoa.
«Não sei quem sou» sucede a «Felicidade», que já tinha revelado a aproximação de Cartas de Desamor à música tradicional. Nascida do pulsar de um adufe, essa primeira canção apresentou o regresso da alegria depois de uma fase de introspeção.
Cartas de Desamor com Ricardo Dias e vozes convidadas
A produção de Ricardo Dias, que trabalhou com Fausto e Vitorino, enquadra esta procura de outras referências musicais. A presença dos ritmos e das percussões tradicionais acompanha a escrita de Luísa Sobral, preservando a atenção às letras que caracteriza a apresentação do projeto.
Vitorino participa também como convidado em Cartas de Desamor, ao lado de A Garota Não e Sopa de Pedra. O disco reúne, deste modo, vozes de diferentes percursos num trabalho que aproxima a composição contemporânea da cultura popular portuguesa.
A mudança é assumida pela própria autora: «é algo diferente de tudo aquilo que já fiz, mas essa é a magia da arte, a possibilidade de nos reinventarmos a cada novo projeto».
De «Amar pelos Dois» a Cartas de Desamor
A edição coincide com os 15 anos de uma carreira discográfica iniciada em 2011 com «The Cherry on My Cake». Nesse álbum de estreia, Luísa Sobral compunha sobretudo em inglês, embora o português já estivesse presente em dois originais e numa versão de «Saiu para a Rua», de Rui Veloso.
Seguiram-se trabalhos como «There’s a Flower in My Bedroom», «Lu-Pu-I-Pi-Sa-Pa» e «Luísa». Este último, editado em 2016, foi gravado em Los Angeles com o produtor Joe Henry e contou com Marc Ribot nas guitarras.
Em 2017, Luísa Sobral assinou a letra e a música de «Amar pelos Dois», interpretada pelo irmão, Salvador Sobral. A canção conquistou a primeira vitória de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, marcando o percurso da cantautora e a história da música portuguesa.
A discografia prosseguiu com «Rosa», «Camomila» e «DanSando», antes da chegada de Cartas de Desamor. Neste novo capítulo, a compositora leva para palco um repertório em que a vontade de mudar se faz ouvir nas palavras e nas escolhas musicais.
Os concertos de apresentação de Cartas de Desamor estão marcados para 11 de novembro de 2026, às 21h00, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e 16 de novembro, às 21h30, na Sala Suggia da Casa da Música, no Porto.





















