
Reconhecendo o seu trabalho vital na proteção de um dos ecossistemas mais críticos do mundo, a Fundação Calouste Gulbenkian atribuiu o Prémio Gulbenkian para a Humanidade de 2025 à Coligação Antártica e Oceano Antártico (ASOC). A organização foi distinguida pelo seu incansável trabalho na proteção de uma das regiões mais frágeis do planeta: a Antártida e o Oceano Antártico.
O júri independente, presidido pela Dra. Angela Merkel, selecionou a ASOC – Coligação Antártica e Oceano Antártico, entre 212 nomeações de 115 países, elogiando a sua liderança na proteção de regiões vitais para a estabilidade climática global, a sua colaboração internacional e a defesa de causas com base científica. O Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de 1 milhão de euros, visa reconhecer contributos excecionais para a ação climática e soluções que inspiram esperança.
A Importância da Antártida e o Trabalho da ASOC
Fundada em 1978, a ASOC tem sido fundamental na proteção da Antártida, uma região que, apesar de remota, é um pilar crucial para a estabilidade global. A Antártida abriga quase 90% do gelo terrestre e 70% da água doce do mundo, enquanto o Oceano Antártico, que representa cerca de 10% do oceano global, é lar de quase 10.000 espécies únicas e regula as temperaturas planetárias. A sua proteção é vital, especialmente porque a região enfrenta impactos climáticos acelerados, com algumas partes a aquecerem mais do dobro da média global.
A ASOC exemplifica como a colaboração internacional duradoura, a defesa com base científica e a gestão ambiental são essenciais para garantir um futuro sustentável. Claire Christian, Diretora Executiva da ASOC, expressou a sua honra, afirmando que o prémio “reafirma o poder da ação coletiva e a importância vital de proteger a Antártida e o Oceano Antártico”. A Dra. Angela Merkel destacou que a ASOC demonstra que “a colaboração global é possível”, inspirando esperança para as gerações futuras.
Um Prémio no Ano Internacional da Preservação dos Glaciares
A atribuição deste prémio coincide com a declaração das Nações Unidas de 2025 como o Ano Internacional da Preservação dos Glaciares, lançando a Década de Ação para a Ciência Criosférica (2025-2034). Este reconhecimento sublinha a importância da criosfera (gelo, glaciares e calotes polares) na regulação climática. O trabalho da ASOC, ao traduzir a compreensão científica em ação global, é um exemplo primordial desta iniciativa.
António Feijó, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Calouste Gulbenkian, salientou que a ASOC “combina ciência, advocacia e relações internacionais para enfrentar um dos maiores desafios do mundo: as alterações climáticas”, e que o seu trabalho “lembra-nos por que proteger os lugares mais remotos da Terra é essencial para salvaguardar o nosso futuro partilhado”.
Nesta que é a sexta edição do Prémio Gulbenkian para a Humanidade, a ASOC junta-se a um leque de laureados de prestígio, como Greta Thunberg (2020) e várias outras organizações e indivíduos reconhecidos pelo seu trabalho na proteção climática e ambiental.




















