
A Adega de Palmela abriu as portas a mais uma vindima, proporcionando uma experiência completa a todos os que participaram nos trabalhos de colheita. Este ano, a ação decorreu na Vinha da Matela, propriedade do enólogo e viticultor Luís Silva, que há várias gerações mantém viva a tradição vitivinícola da região.
A casta predominante nesta vinha é a Syrah, conhecida pela sua intensidade aromática e estrutura robusta. A vindima decorreu num ambiente de sã convivência e boa disposição, culminando num piquenique onde não faltaram os sabores típicos da região: pão, queijo, enchidos, frutas variadas e as tradicionais fogaças de Palmela. A acompanhar, os frescos e aromáticos Cá Calharás branco e rosé e o sempre agradável Moscatel Adega de Palmela.
Durante a vindima na Vinha da Matela, o Eng. Ângelo Machado, presidente do Conselho de Administração da Adega de Palmela, também viticultor com vasta experiência, partilhou a sua visão sobre o papel da Adega, os desafios do setor e a importância da inovação.
“Esta adega nasceu da vontade dos nossos sócios em enfrentar os problemas da época. Havia dificuldades em escoar os produtos e uma concorrência crescente. Foi preciso encontrar novas formas de comercialização e apostar na inovação para garantir a sustentabilidade da atividade”, explicou.
O Eng. Machado destacou o papel fundamental do enólogo Luís Silva na evolução da Adega: “O Luís é uma peça essencial. Trabalha para que o produto tenha qualidade e seja atrativo para o consumidor. A inovação é constante, e todos os anos procuramos trazer novidades que respondam às tendências do mercado.”
Por fim, deixou uma mensagem sobre o papel do vinho na sociedade: “O vinho não é apenas álcool. É cultura, é história, é partilha. Defendemos o consumo responsável e fazemos questão de o comunicar nos nossos rótulos e contra-rótulos. O vinho deve ser apreciado com moderação, em momentos especiais e com qualidade.”
Durante a vindima na Vinha da Matela, o Eng. Luís Silva, enólogo da Adega de Palmela, partilhou com os participantes uma reflexão sobre a evolução da viticultura e o papel das pessoas neste processo.
“Antigamente, quem vinha para a vindima eram pessoas com necessidades, mas com objetivos claros — trabalhadores e estudantes que aproveitavam esta época para ganhar algum dinheiro, fosse para fazer uma viagem, concluir os estudos ou comprar um carro. Era uma oportunidade que se encaixava nas necessidades de cada um”, recordou.
Referindo-se às condições deste ano, destacou os desafios enfrentados: “As doenças e as alterações climáticas afetaram a produção, especialmente em algumas parcelas como as do Castelo. Estimamos uma quebra na produção que pode chegar aos 70%, mas a qualidade das uvas mantém-se elevada, o que nos permite esperar vinhos de excelência.”
Sobre os jovens na viticultura, foi direto: “A única coisa que um jovem pode ter a mais é vontade. O conhecimento teórico é importante, mas é a experiência que ensina. Aqui, todos aprendem com o tempo e com o trabalho.”
Luís Silva também abordou a importância dos apoios à viticultura, como o programa VITIS, que permite renovar vinhas e acompanhar as tendências do mercado. “Sem esses apoios, não seria possível manter a atividade. Plantar uma nova vinha custa entre 12.000 e 15.000 euros por hectare.”
A conversa terminou com uma mensagem clara: “O vinho é mais do que álcool. É cultura, é história, é partilha. Defendemos o consumo responsável e consciente, valorizando a qualidade e os momentos especiais. É isso que procuramos proporcionar com iniciativas como esta vindima.”
Os participantes estiveram envolvidos de perto não só na colheita da casta Syrah, mas também puderam observar etapas fundamentais do processo, como o pesar dos tratores carregados de uvas, o cálculo do grau alcoólico e a descarga das uvas nos telões — onde tem início a transformação que levará ao vinho final.
A diversidade das cargas evidenciou a importância da maturação e da casta no resultado, confirmando que cada parcela da vinha traz consigo particularidades únicas. No caso do Syrah, a maturação ideal promete vinhos de grande intensidade aromática e estrutura.
Um dos momentos mais divertidos da vindima na Adega de Palmela foi a participação dos visitantes na tradicional pisa das uvas. Este gesto simbólico, hoje feito por brincadeira, tem raízes profundas na história da viticultura.
Antigamente, a pisa era uma etapa essencial do processo de vinificação. Os trabalhadores, descalços, pisavam as uvas em grandes lagares de pedra, permitindo a extração do sumo de forma delicada, sem danificar as sementes. Era também um momento de convívio, música e esforço coletivo.
Hoje, este processo é realizado mecanicamente, com equipamentos modernos que garantem maior eficiência e higiene. No entanto, a pisa tradicional continua a ser recriada em eventos especiais, como forma de homenagear o passado e envolver as pessoas na cultura do vinho.
A experiência da vindima na Adega de Palmela terminou com um almoço memorável na acolhedora “Cave das Barricas”. Para acompanhar as entradas, foram servidos os vinhos Vale dos Barris Branco e Vale dos Barris Rosé — ambos frescos, aromáticos e bem estruturados, ideais para abrir o apetite.
Os pratos principais — Bacalhau à Brás e Carne de Porco à Portuguesa — foram harmonizados com dois vinhos emblemáticos da Adega que celebra este ano 70 anos de idade: o Vale de Touros Reserva Branco e o Vale de Touros Vinhas Velhas Reserva Tinto 2023. Estes vinhos, com uma boa relação qualidade/preço, refletem a maturidade, a identidade e a excelência que a Adega de Palmela, tem vindo a construir ao longo de décadas.
Para fechar com chave de ouro este dia de vindima, a sobremesa – Tarte de frutos vermelhos, foi acompanhada por dois tesouros da Adega de Palmela: o Moscatel Adega de Palmela e o Moscatel Roxo 15 anos. Este último, uma das joias da casa, representa a excelência e o saber acumulado ao longo de décadas, oferecendo aromas intensos e uma complexidade que honra a tradição da região.
A vindima na Adega de Palmela foi mais do que uma colheita — foi uma celebração da terra, das pessoas e do vinho. Entre histórias partilhadas, sabores autênticos e momentos de convívio, ficou a certeza de que a tradição continua viva, enriquecida pela inovação e pelo compromisso com a qualidade. Que este dia inspire muitos outros, e que cada garrafa seja um convite a descobrir o que de melhor se faz em Palmela. Saúde!




















