
Entre o barbo com açorda de espargos silvestres e um bolo de cogumelos e avelã, o programa cruza receitas contemporâneas com perguntas antigas sobre a forma como preparamos os alimentos. A paisagem dos rios Douro e Côa acompanha este encontro, que junta gastronomia, património e música portuguesa.
Nesta edição do Chefs on Fire Foz Côa, os pratos foram desenvolvidos a partir de técnicas ancestrais exploradas com o arqueólogo Pedro Cura. Os ingredientes da região servem de ponto de partida para propostas criadas especificamente para o evento, com quatro chefs em cada dia.
Chefs on Fire Foz Côa aproxima a cozinha da arqueologia
A colaboração com o Museu do Côa, mantida ao longo das últimas quatro edições, dá continuidade a uma abordagem que relaciona o trabalho dos cozinheiros com o conhecimento do passado. O fogo surge como instrumento de confeção e como tema para compreender as origens da cozinha.
É uma ligação particularmente pertinente neste lugar. Os sítios de arte rupestre pré-histórica do Vale do Côa integram a lista do Património Mundial da UNESCO e conservam testemunhos da presença humana ao longo de milhares de anos. A relação com esse passado faz, por isso, parte do contexto em que os chefs vão cozinhar. whc.unesco.org
No Chefs on Fire Foz Côa, a inspiração paleolítica está nas técnicas exploradas com o arqueólogo, enquanto as receitas mantêm a identidade dos cozinheiros e dos restaurantes que representam. O resultado será apresentado em menus que percorrem o peixe, a carne, os vegetais e a sobremesa.
Chefs on Fire Foz Côa reúne oito interpretações do fogo
O primeiro dia começa, à mesa, com António Queiróz Pinto, do Lura, que apresenta barbo com açorda de espargos silvestres e ovas. Rui Silva, do Euskalduna, trabalha outra combinação de sabores, numa almôndega de borrego acompanhada por lentilhas e pera.
A proposta vegetal fica a cargo de Óscar Geadas, do G Pousada, com cuscos de cogumelos, brócolo e salada de agrião. Diogo Novais, do Porinhos, encerra o menu com leite-creme torrado, gelado de feno e crumble de frutos secos, aproximando uma sobremesa familiar de ingredientes menos habituais neste contexto.
No segundo dia do Chefs on Fire Foz Côa, Pedro Braga, do Mito, apresenta costela mendinha, cevada de abóbora e nabo e farofa de castanha. A presença da castanha e da abóbora introduz referências de outono num prato centrado na carne.
Hugo Portela, do Cibû, reúne truta salmonada fumada, barriga de porco e cremoso de batata. Já Francisco Cepeda, da Cooperativa, parte de uma preparação reconhecível da cozinha portuguesa para apresentar uma interpretação de couve-coração à Bulhão Pato, colocando o vegetal no centro do prato.
Ana Macedo, do Vinha, assina o final doce com bolo de cogumelos e avelã. O ingrediente que surge nos cuscos do primeiro menu reaparece, assim, numa utilização diferente, desta vez na sobremesa. www.noticiasdodouro.pt
O cartaz do Chefs on Fire Foz Côa permite acompanhar diferentes formas de trabalhar os mesmos elementos. Os cogumelos atravessam propostas salgadas e doces, a fruta acompanha o borrego e uma preparação habitualmente associada às amêijoas ganha outra leitura com a couve-coração.
Chefs on Fire Foz Côa com quatro concertos no Museu do Côa
O encontro organiza-se em duas sessões diárias, ao almoço e ao jantar, cada uma com quatro chefs e uma atuação musical. Este formato distribui o programa por momentos distintos, com o mesmo alinhamento gastronómico nas duas sessões de cada dia.
O Chefs on Fire Foz Côa decorre no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, nos dias 24 e 25 de outubro de 2026. As sessões de almoço realizam-se entre as 12h00 e as 16h30, enquanto as de jantar decorrem entre as 18h30 e as 23h00. chefsonfire.com
A programação musical inclui quatro concertos de formato intimista. No sábado, 24 de outubro, Silly atua às 15h00 e os Sensible Soccers às 21h00. No domingo, 25 de outubro, Ganso sobe ao palco às 15h00, seguindo-se iolanda às 21h00, no último concerto deste regresso ao Museu do Côa.





















