
Uma castanha caramelizada ao lado de um Porto Vintage. Uma trufa de chocolate negro a acompanhar um Late Bottled Vintage. Um biscoito de castanha servido com um Porto branco envelhecido. Na Quinta do Bomfim, no Pinhão, estas combinações pouco habituais dão o mote a uma prova que percorre diferentes estilos de Vinho do Porto sem perder de vista um ingrediente profundamente ligado à cozinha portuguesa.
A iniciativa decorre de 9 a 15 de novembro, por ocasião do São Martinho, mas é a diversidade dos vinhos que conduz a experiência. A Quinta do Bomfim reúne quatro referências de casas históricas da Symington Family Estates — Warre’s, Graham’s, Cockburn’s e Dow’s — e propõe acompanhamentos diferentes para cada uma. O resultado é um percurso em que a castanha ora surge em preparações discretas, ora assume o protagonismo de uma sobremesa.
Quatro estilos à mesa na Quinta do Bomfim
A primeira combinação junta o Warre’s White 10 Anos a um biscoito de castanha. Trata-se de um Porto branco com indicação de idade, uma categoria que permite começar a prova fora da imagem mais habitual dos Portos tintos. A escolha do biscoito estabelece também o ponto de partida gastronómico de uma sequência que vai ganhando intensidade nas preparações.
Segue-se o Graham’s 20 Anos, acompanhado por pudim de castanhas. O vinho pertence à categoria dos tawnies com indicação de idade, cuja evolução decorre em madeira. A passagem do biscoito ao pudim altera a textura e a presença da castanha à mesa, sem deixar de manter o mesmo ingrediente como fio condutor.
O terceiro momento aproxima o Cockburn’s Late Bottled Vintage de uma trufa de castanha e chocolate negro. Ao contrário dos anteriores, o LBV é elaborado a partir de uma única colheita e engarrafado depois de vários anos de estágio. O chocolate introduz uma nota diferente na proposta, abrindo espaço a outra leitura da relação entre vinho e sobremesa.
Para terminar, o Dow’s Quinta do Bomfim Vintage surge com castanha caramelizada. Os Vintage são produzidos a partir de uma única colheita declarada e distinguem-se pelo envelhecimento posterior em garrafa. O fecho aproxima assim uma das categorias mais reconhecidas do Vinho do Porto de uma preparação simples, habitualmente associada ao outono.
Da vinha à história de uma propriedade duriense
A prova decorre num lugar cuja ligação ao Vinho do Porto é anterior à atual oferta de enoturismo. A Quinta do Bomfim pertence à história da Dow’s desde 1896 e integra hoje o património vitivinícola da família Symington. Nas encostas junto ao Pinhão, a vinha faz parte da paisagem do Douro, moldada ao longo de gerações pelo trabalho agrícola e pela produção de vinho.
Na Quinta do Bomfim, a adega continua a receber uvas das vinhas da propriedade. A proximidade entre os terrenos de cultivo e o local de vinificação torna visível uma etapa do percurso que habitualmente fica longe de quem encontra o vinho já engarrafado. Esse contexto ajuda a perceber por que motivo uma experiência deste género não se limita à comparação de rótulos: aproxima os diferentes estilos do território de onde provêm e das casas que os produzem.
Na Quinta do Bomfim, a vertente gastronómica prolonga-se no restaurante Bomfim 1896, instalado na propriedade e conhecido pela cozinha de inspiração regional, com recurso ao fogo e à lenha. A refeição constitui uma experiência independente da prova, mas acrescenta uma dimensão contemporânea à relação entre a mesa duriense e os seus vinhos.
Ao reunir quatro vinhos tão distintos, a Quinta do Bomfim recupera a associação entre castanhas e vinho sem ficar presa à celebração que lhe dá origem. Do branco envelhecido ao Vintage, a sequência põe em evidência a variedade do Porto e o lugar que ainda ocupa à mesa, muito para lá dos brindes de ocasião.





















