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Raça Negra levam ao Casino Estoril quatro décadas de canções que marcaram gerações

Raça Negra atuam no Salão Preto e Prata com os êxitos que fizeram do pagode romântico um fenómeno da música popular brasileira nos anos 90

Luiz Carlos, vocalista dos Raça Negra, com fato azul, numa fotografia de divulgação do grupo
Luiz Carlos lidera os Raça Negra, que atuam em dezembro no Casino Estoril - ®DR

«Cheia de Manias», «É Tarde Demais» e «Cigana» pertencem a uma fase em que o pagode romântico deixou de estar circunscrito aos seus públicos habituais e passou a ocupar as rádios brasileiras. Os Raça Negra estiveram entre os protagonistas dessa mudança. Quatro décadas depois da formação do grupo, as canções continuam a fazer parte dos concertos de uma banda que tem uma nova atuação marcada em Portugal, no Casino Estoril.

A história começou em 1983, em São Paulo, longe da dimensão que o projeto viria a alcançar. Durante os primeiros anos, os músicos construíram o repertório em atuações locais. O salto discográfico só aconteceu em 1991, com a edição do primeiro álbum e a popularidade de «Caroline», tema que abriu caminho a uma sequência de êxitos. Para os Raça Negra, foi o início de uma projeção que alteraria a escala das atuações e a relação com a indústria discográfica.

Raça Negra e a afirmação do pagode romântico

Na década de 1990, o pagode ganhou uma visibilidade que ultrapassou os espaços tradicionalmente associados ao samba. As melodias românticas, os refrões facilmente reconhecíveis e a presença crescente na rádio e na televisão aproximaram o género de novos ouvintes. Os Raça Negra participaram nessa transformação, num período em que o mercado musical brasileiro encontrava nas bandas de pagode alguns dos seus maiores fenómenos de vendas.

À frente da formação está Luiz Carlos, vocalista cuja interpretação se tornou uma das marcas do grupo. A sua voz acompanha histórias de paixão, desentendimento e reconciliação que ajudaram a definir o repertório. A linguagem direta das letras tornou essas histórias acessíveis, mesmo a quem não seguia de perto o percurso da banda. «Ciúme de Você», «Pensando em Você», «Me Leva Junto com Você» e «Jeito de Ser» juntaram-se a temas anteriores, consolidando uma identidade musical que o público reconhece desde os primeiros acordes.

O êxito dos Raça Negra também se explica pela circulação destas músicas fora dos discos e dos concertos. Muitas passaram a fazer parte de festas, encontros familiares e programas de rádio, continuando a ser ouvidas mesmo quando as tendências musicais mudaram. Essa permanência deu ao grupo um público que não ficou limitado à geração que acompanhou o seu aparecimento.

Do sucesso no Brasil ao palco do Estoril

É esse repertório que os Raça Negra levam ao Salão Preto e Prata do Casino Estoril, no dia 9 de dezembro, às 22h00. O concerto reúne alguns dos títulos que marcaram a carreira da banda, incluindo «Cheia de Manias» e «É Tarde Demais», e recupera uma parte importante da história do pagode romântico brasileiro.

Entre os episódios mais conhecidos desse percurso figura precisamente «É Tarde Demais». Lançada em 1995, a canção ficou associada a um registo do Guinness World Records: segundo a informação divulgada sobre a distinção, terá sido transmitida 600 vezes nas rádios num único dia, a 20 de julho daquele ano.

O número ajuda a perceber a intensidade da presença dos Raça Negra nos meios de comunicação durante o auge da sua popularidade. Foi uma época em que a repetição radiofónica podia transformar uma canção num fenómeno nacional e em que a televisão ampliava a notoriedade dos artistas para lá das salas de espetáculo.

A carreira prosseguiu com atuações fora do Brasil, incluindo em países da América do Sul e na Europa. Em Portugal, os Raça Negra encontram um público familiarizado com a música brasileira, mas também ouvintes que descobriram estas canções muitos anos depois de terem sido editadas.

No Casino Estoril, a banda regressa a um repertório ligado à expansão do pagode nos anos 90. A apresentação junta o percurso de Luiz Carlos e dos restantes músicos a temas que continuam presentes nas atuações do grupo, mais de quatro décadas após os primeiros passos em São Paulo.

aNotícia.pt