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Lídia Jorge distinguida com o Prémio Pessoa 2025 e com a Grã‑Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada

Lídia Jorge recebeu hoje o Prémio Pessoa 2025 e a Grã‑Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, numa cerimónia marcada por grande simbolismo.

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Lídia Jorge Prémio Pessoa
Lídia Jorge distinguida com o Prémio Pessoa 2025 e com a Grã‑Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada - Armando Saldanha (Aldrabiscas)

A entrega do Prémio Pessoa 2025 a Lídia Jorge decorreu esta tarde no Átrio Central do Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, numa sessão que reuniu algumas das figuras mais relevantes da vida cultural e política portuguesa. O evento contou com a presença de Paulo Macedo, Presidente da Comissão Executiva e Vice‑Presidente do Conselho de Administração da CGD, Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo Impresa e presidente do júri, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que entregou o galardão.

No final da cerimónia, o chefe de Estado condecorou a escritora com a Grã‑Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, distinção que assinala o mérito literário, científico e artístico. O momento reforçou o reconhecimento institucional da autora, cuja obra tem marcado a literatura portuguesa das últimas décadas.

No seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa destacou o “envolvimento mais direto” de Lídia Jorge com a realidade política e social portuguesa, recordando o papel da escritora como conselheira de Estado e a intervenção pública que realizou nas comemorações do 10 de Junho, em Lagos. Sublinhou ainda que a autora tem afirmado “o lugar do escritor enquanto cidadão”, descrevendo-a como uma voz de consciência nacional, atenta aos desafios do presente.

O Presidente evocou também a complexidade da História de Portugal e a importância de uma leitura crítica e inclusiva, agradecendo à autora “o serviço prestado ao país” através da sua obra literária e da sua intervenção cívica.

Ao receber o Prémio Pessoa e a condecoração, Lídia Jorge dirigiu-se ao Presidente da República com palavras de reconhecimento, afirmando que Marcelo Rebelo de Sousa “soube explicar a engrenagem da democracia ao povo” e valorizando o seu papel na defesa da cultura. Considerou ainda que esse contributo constitui “um legado extraordinário”.

A autora reforçou que este prémio representa não apenas um reconhecimento individual, mas também uma celebração da literatura enquanto espaço de reflexão sobre o país, a memória e o futuro.

Um prémio com história

O Prémio Pessoa, promovido pelo Expresso e patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos, distingue anualmente personalidades que se destacam nas áreas cultural, literária, científica, artística ou jurídica. A edição de 2025 foi anunciada a 11 de dezembro, no Palácio de Seteais, em Sintra, e assinalou a ausência de Francisco Pinto Balsemão, fundador do Grupo Impresa, cuja memória foi evocada no início da cerimónia.

O júri, presidido por Francisco Pedro Balsemão, destacou a “escrita criativa e diversificada” de Lídia Jorge, bem como a sua capacidade de interpretar os grandes desafios contemporâneos. A autora, traduzida em mais de vinte línguas e estudada internacionalmente, tem uma obra que atravessa romance, conto, teatro, poesia, ensaio e crónica. Entre os títulos mais recentes, destaca-se “Misericórdia” (2022), amplamente premiado em Portugal e no estrangeiro.

Reconhecimento de uma carreira ímpar

Com mais de quatro décadas de percurso literário, Lídia Jorge é hoje uma das vozes maiores da literatura portuguesa. Obras como O Dia dos Prodígios, A Costa dos Murmúrios ou Estuário consolidaram o seu lugar no panorama literário, ao mesmo tempo que a sua intervenção cívica tem contribuído para o debate democrático em Portugal.

A cerimónia de hoje reafirmou esse duplo legado — literário e cívico — num ambiente marcado por sobriedade, significado e profundo reconhecimento institucional.

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