
A Volkswagen está a alterar a forma como identifica os seus automóveis elétricos. Depois do ID. Polo e do ID. Cross, o próximo passo chama-se ID Tiguan e recupera um dos nomes com maior peso comercial dentro da marca. O novo SUV totalmente elétrico irá substituir os ID.4 e ID.5, mas não afastará o Tiguan atual, que continuará disponível com motorizações de combustão e híbridas.
A decisão revela uma mudança clara na estratégia da Volkswagen. Em vez de manter os elétricos numa família quase independente, identificada por números, a marca começa a aproximá-los de modelos já reconhecidos pelo público. O ID Tiguan será, assim, um dos exemplos mais evidentes dessa transição.
ID Tiguan ocupa o espaço dos ID.4 e ID.5
A escolha não acontece num segmento secundário. Os ID.4 e ID.5 ultrapassaram, em conjunto, 950 mil unidades entregues desde 2021 e tornaram-se referências importantes na ofensiva elétrica da Volkswagen. O ID Tiguan herda agora essa posição, embora surja com uma identidade própria e integrado numa nova geração de veículos elétricos.
Esse peso comercial ajuda também a perceber por que razão a substituição dos dois modelos merece atenção. A Volkswagen não está apenas a renovar um SUV elétrico: está a mexer numa das áreas em que construiu maior volume dentro da sua gama elétrica. A mudança de nome passa, por isso, a ter também um significado estratégico, ao aproximar um produto elétrico de uma designação com reconhecimento global.
Por enquanto, a Volkswagen mantém reservada grande parte da informação técnica. Não foram ainda divulgados dados sobre potência, baterias, autonomia ou velocidades de carregamento. Os protótipos continuam a realizar testes com camuflagem e a apresentação mundial está prevista para o início de outubro.
O que já se conhece é a intenção de posicionar o modelo com uma presença visual mais sofisticada e dimensões adequadas a um SUV familiar. A marca fala num design totalmente novo e numa imagem próxima de um segmento superior, embora seja necessário esperar pela apresentação oficial para perceber até que ponto o ID Tiguan se distancia visualmente dos modelos que substitui.
Um nome com mais de oito milhões de unidades
A importância da designação Tiguan ajuda a explicar a opção. Desde o lançamento da primeira geração, foram produzidas mais de 8,3 milhões de unidades. Atualmente, o Tiguan é apontado pela Volkswagen como o modelo mais vendido da marca e também do Grupo Volkswagen.
No último ano, Tiguan e Tayron superaram, em conjunto, um milhão de entregas. O primeiro continua disponível com motores a gasolina, diesel e versões híbridas plug-in, uma oferta que permanecerá no mercado mesmo após a chegada do novo elétrico.
Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, considera que esses números demonstram “a força e a confiança associadas a este nome”. Segundo o responsável, o ID Tiguan pretende transportar para a mobilidade elétrica características como espaço, facilidade de utilização e tecnologia, mantendo a ligação a um modelo já conhecido pelos clientes.
ID Tiguan não elimina o Tiguan atual
Esta é uma das diferenças mais importantes da estratégia. O ID Tiguan não representa simplesmente uma nova geração elétrica destinada a substituir todas as restantes motorizações. Os dois modelos irão coexistir, permitindo à Volkswagen manter propostas distintas sob um nome comum.
Na prática, a designação Tiguan passa a identificar duas abordagens tecnológicas. De um lado, permanece o modelo com motores de combustão e soluções híbridas. Do outro, surge um SUV concebido exclusivamente para propulsão elétrica. Para a marca, esta solução permite preservar um nome forte sem obrigar o cliente a associá-lo a uma única tecnologia.
É também uma forma de simplificar a leitura da gama. Depois de anos em que os elétricos Volkswagen foram associados sobretudo às designações ID. seguidas de números, a marca está a recuperar nomes já consolidados, procurando tornar mais imediata a relação entre cada elétrico e o segmento a que pertence.
O ID Tiguan será comercializado no início de 2027 e representa, por isso, mais do que a chegada de um novo SUV. Marca também uma fase em que a Volkswagen começa a confiar menos nos números e mais na força dos nomes que ajudaram a construir a sua gama.




















