
Uma parcela com mais de 100 anos, vinhas velhas onde predominam Touriga Nacional e Sousão e um branco de Folgazão e Rabigato dão origem às três novas colheitas agora apresentadas pela São Luiz. Com assinatura do enólogo Ricardo Macedo, as referências percorrem diferentes lugares e formas de interpretar o Douro, através de castas, vinhas e tempos de estágio distintos.
A novidade reúne o Quinta de São Luiz Vinha Rumilã Grande Reserva Tinto 2020, o Quinta de São Luiz Vinhas Velhas Grande Reserva Tinto 2022 e o São Luiz Winemaker’s Collection Folgazão & Rabigato Grande Reserva Branco 2022. Três edições limitadas que partem de realidades diferentes do território duriense e procuram afirmar identidade própria sem perder a ligação à marca.
Vinha Rumilã parte de uma parcela centenária
O Vinha Rumilã Grande Reserva Tinto 2020 nasce exclusivamente da pequena parcela Rumilã, no Cima Corgo. As vinhas têm mais de 100 anos, assentam em solos xistosos e encontram-se entre 200 e 300 metros de altitude. A reduzida produtividade ajuda a explicar uma edição numerada de apenas 1.430 garrafas.
A vindima foi manual, com seleção dos cachos na vinha e nova escolha na adega. A fermentação alcoólica decorreu sem esmagamento dos bagos e com 20% de engaço, em cascos rotativos de 500 e 600 litros, seguindo-se a fermentação malolática em cascos de 225 litros. O vinho estagiou 24 meses em barricas e, depois de engarrafado sem filtração, permaneceu pelo menos mais 24 meses em garrafa.
Na prova, apresenta cor rubi profunda, frutos silvestres, notas de flor de laranjeira e especiarias. Na boca, surgem taninos sedosos, acidez definida e sensação de mineralidade. Tem 14% de álcool, deve ser servido entre 16 e 18 ºC e harmoniza com carnes vermelhas, caça e queijos.
Vinhas Velhas mostra outra leitura do Cima Corgo
O Vinhas Velhas Grande Reserva Tinto 2022 parte de vinhas com mais de 50 anos, também no Cima Corgo, implantadas entre 250 e 300 metros de altitude. Touriga Nacional e Sousão são as castas predominantes numa referência que segue um caminho distinto dentro das novas colheitas da São Luiz.
A colheita foi manual, com seleção na vinha e na adega. A fermentação alcoólica prolongou-se durante 15 dias, a temperatura controlada, depois de uma maceração pelicular de 30 dias. Seguiram-se 16 meses em barricas de carvalho francês.
No perfil de prova surgem fruta vermelha e negra, especiarias e frescura, acompanhadas por taninos acetinados e firmes e uma estrutura aveludada. Com 14% de álcool, deve ser servido entre 16 e 18 ºC. Cordeiro, cabrito, javali, massas com molhos trufados e queijos curados estão entre as harmonizações indicadas.
A produção está limitada a 2.400 garrafas numeradas: 2.200 de 750 ml e 200 em formato magnum. É uma leitura de vinha velha que se distingue da Rumilã não apenas pela idade das cepas, mas também pelo percurso de vinificação e pelo tempo passado em madeira.
São Luiz leva Folgazão e Rabigato ao Baixo Corgo
A terceira nova colheita muda de cor, de castas e de sub-região. O São Luiz Winemaker’s Collection Folgazão & Rabigato Grande Reserva Branco 2022 resulta de um trabalho iniciado em 2015 para estudar o comportamento de castas brancas no Baixo Corgo. O lote junta 60% de Folgazão e 40% de Rabigato, com parte das uvas provenientes da Quinta do Bairro.
As uvas foram vindimadas manualmente e transportadas para a adega da Quinta de São Luiz, onde passaram por nova seleção. Depois da prensagem de cacho inteiro, o mosto terminou a fermentação em barricas de 300 litros e permaneceu nessas mesmas barricas entre 2022 e 2026. São quatro anos de estágio, um dos elementos que mais individualiza esta referência dentro do conjunto agora apresentado.
A prova revela fruta branca de caroço, casca de toranja e subtis apontamentos fumados provenientes da madeira. Na boca, a textura é envolvente, com untuosidade e cremosidade equilibradas pela acidez, mantendo frescura e persistência. Tem 13,5% de álcool, deve ser servido entre 12 e 14 ºC e harmoniza com mariscos, peixes gordos e carnes brancas. A edição é limitada, numerada e assinada, num total de 4.400 garrafas.
Três colheitas, três formas de interpretar o Douro
As três novidades mostram como a São Luiz trabalha referências com pontos de partida muito diferentes: uma parcela centenária, vinhas com mais de meio século e duas castas brancas estudadas no Baixo Corgo. O resultado não procura repetir uma fórmula, mas dar continuidade a três identidades com origem, vinificação, estágio e perfil próprios.
Entre Cima Corgo e Baixo Corgo, vinhas antigas, castas tradicionais e diferentes tempos de adega, estas novas colheitas constroem uma leitura plural do Douro. O interesse está precisamente nas diferenças entre elas: três vinhos, três percursos e três expressões concretas do território.



















