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São Martinho entre castanhas, pratos de conforto e vinhos de diferentes regiões

No São Martinho, castanhas e pratos de outono cruzam-se com vinhos do Dão, Douro e Alentejo, entre castas, estilos e tradições à mesa.

São Martinho com copo de vinho tinto e castanhas numa composição rústica alusiva aos sabores do outono
Vinho e castanhas, dois elementos da tradição de São Martinho - ®DR

No São Martinho, as castanhas continuam a ocupar um lugar central, mas os vinhos à mesa já não se resumem ao vinho novo ou aos tintos. Um branco estruturado, um rosé de altitude ou um tinto de casta pouco habitual podem acompanhar momentos diferentes da refeição. Entre o Dão, o Douro e o Alentejo, cinco vinhos e uma aguardente de medronho ajudam a perceber como a tradição convive com estilos e processos de produção distintos.

O ponto de partida são as castanhas assadas, cujo sabor adocicado e tostado pede alguma atenção ao equilíbrio dos vinhos. A partir daí, os pratos de conforto trazem outras possibilidades, sem que exista uma harmonização única para o São Martinho. O contraste entre acidez, textura e intensidade aromática ajuda a explicar por que razão vinhos tão diferentes podem surgir na mesma ocasião.

São Martinho entre castanhas, rosé e vinhos do Dão

O Taboadella Reserva Jaen 2021, produzido no Dão, é feito a partir de uma casta que encontra nas zonas frescas de altitude condições favoráveis à maturação. As notas de fruta azulada e especiarias brancas juntam-se a taninos macios e finos. A frescura descrita para este tinto permite relacioná-lo com os sabores tostados das castanhas, sem deixar que a intensidade do vinho domine a combinação.

Do Douro chega uma interpretação menos habitual desta época: o São Luiz Winemaker’s Collection Tinto Cão Reserva Rosé 2025. A casta Tinto Cão provém de vinhas do Cima Corgo, plantadas em solos xistosos a cerca de 400 metros de altitude. A cor salmão, com nuances coral, acompanha aromas de romã, groselha e framboesa. Neste caso, é a acidez que estabelece o contraste com as castanhas do São Martinho.

Também os brancos encontram espaço nesta mesa. O Garrafeira Branco 2024, da Herdade da Aldeia de Cima, resulta de um lote de Antão Vaz (40%), Arinto (30%) e Alvarinho (30%), provenientes de vinhas em modo de produção biológico e vindimadas manualmente. Na Serra do Mendro, os solos xisto-argilosos, a altitude e a influência atlântica fazem parte da identidade do vinho. Fruta fresca, notas minerais e aromas que evocam o bosque mediterrânico compõem um perfil com estrutura e persistência. É outra forma de pensar os acompanhamentos do São Martinho, para lá dos tintos.

São Martinho à mesa com tintos e pratos de conforto

Quando chegam as carnes assadas, o Quinta Nova Reserva Touriga Nacional 2024, do Douro, apresenta um perfil diferente. Os aromas de frutos silvestres, violeta e flor de laranjeira surgem acompanhados por apontamentos discretos de madeira. O estágio de nove meses, entre barricas de carvalho francês de 300 litros e cubas de cimento, contribui para a textura sedosa descrita para este monocasta.

O Batente Syrah, da Comporta Wines, introduz uma casta internacional nesta seleção de São Martinho. A fermentação foi iniciada por leveduras indígenas e seguiu-se um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Fruta preta e vermelha, pimenta e moca marcam os aromas deste tinto, cuja acidez permite estabelecer uma ligação com pratos de confeção lenta.

A última referência muda de categoria. A Aguardente de Medronho da Herdade da Aldeia de Cima não deriva do vinho: nasce de medronhos que crescem espontaneamente na Serra do Mendro e passa por dupla destilação a vapor. De aspeto límpido e quase cristalino, tem uma produção limitada a 1.400 garrafas e surge no final da refeição, já fora do território das harmonizações vínicas.

Assim, o São Martinho reúne, à mesma mesa, castas tão diferentes como Jaen, Tinto Cão, Touriga Nacional e Syrah, ao lado de um branco de lote e de um destilado de fruto. A passagem das castanhas para os assados e, por fim, para a aguardente mostra como uma celebração ligada ao vinho novo também pode acolher outras expressões da produção portuguesa.

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