
A saúde da mulher nem sempre cabe na queixa que a leva à consulta, sobretudo quando surgem mudanças difíceis de explicar. Inês Neves percebeu-o nas consultas de medicina estética, quando as conversas com as pacientes revelavam preocupações que pediam acompanhamento de outras áreas.
A gravidez, o período após o parto e a menopausa estavam entre as situações que traziam novas perguntas. Surgiam também pedidos de contactos de ginecologistas e nutricionistas, que a levaram a pensar num projeto onde esses profissionais trabalhassem em conjunto.
Dessas conversas nasceu a Clínica Inês Neves, em Lisboa, que reúne diferentes áreas dedicadas à saúde da mulher. O INMethod, agora apresentado, propõe uma avaliação inicial para ajudar a perceber quais os cuidados necessários e o que deve ter prioridade.
Dos cuidados intensivos à descoberta da medicina estética
Antes deste projeto, houve cinco anos no Hospital de Santa Maria e uma pandemia que marcou o percurso da médica. “Eu trabalhei durante cinco anos em Santa Maria nos cuidados intensivos”, conta Inês Neves.
Depois desse período particularmente duro, procurou aprender algo novo e inscreveu-se numa pós-graduação em medicina estética. Não tinha ainda uma clínica em mente. O interesse cresceu à medida que voltava aos livros: “Acabei por gostar muito de estudar novamente”, recorda.
Fez duas pós-graduações, num percurso que passou por Portugal e pelo Brasil, onde frequentou também outros cursos. Quando se preparava para regressar ao hospital, pediu para mudar de instituição. Segundo relata, o pedido não foi aceite e acabou por rescindir o contrato com o Hospital de Santa Maria.
Seguiu-se um convite para desenvolver um serviço de medicina estética numa clínica de Lisboa. Levou consigo uma aprendizagem dos cuidados intensivos, a necessidade de “saber olhar para um paciente como um todo”, que passou a aplicar num contexto muito diferente.
Nas consultas, começou a dar atenção à relação entre as preocupações estéticas e outras necessidades de saúde da mulher. A ideia de criar o seu próprio espaço ganhou forma em novembro de 2023, com profissionais que já conhecia e com quem queria trabalhar.
Saúde da mulher na Clínica Inês Neves
Na Clínica Inês Neves, a ginecologia, a nutrição integrativa e a fisioterapia pélvica coexistem com a medicina estética, as consultas de medicina funcional e a estética não invasiva.
Para quem procura acompanhamento da saúde da mulher, esta concentração permite encontrar diferentes profissionais sem ter de percorrer várias clínicas. A proposta prevê também a partilha de informação entre a equipa, para relacionar as queixas e orientar os encaminhamentos.
“É impossível uma pessoa saber de tudo”, reconhece a fundadora e diretora clínica. É nessa consciência dos limites de cada área que assenta a escolha de trabalhar em conjunto.
A gravidez e o pós-parto fazem parte deste olhar sobre a saúde da mulher, tal como a fertilidade, a perimenopausa e a menopausa. O ponto de partida é o momento de vida de cada paciente e aquilo que a preocupa, sem pressupor que todas precisam das mesmas consultas.
INMethod define prioridades na saúde da mulher
Ter acesso a várias áreas deixa, ainda assim, uma dúvida: por onde começar? O INMethod procura responder através de uma avaliação inicial que reúne as queixas, recorre a questionários específicos e termina com um relatório.
Nesse documento deverão constar as consultas recomendadas, os motivos de cada encaminhamento e as prioridades. Na entrevista, Inês Neves dá o exemplo de uma eventual necessidade de fisioterapia pélvica que poderá ser abordada depois de outras questões consideradas mais urgentes.
O plano deverá ser revisto ao longo do tempo. A intenção é acompanhar a evolução das necessidades, em vez de concentrar todas as decisões num único encontro.
“Queremos que cada mulher seja verdadeiramente ouvida, compreendida e acompanhada de acordo com as suas necessidades e com a fase da vida em que se encontra”, afirma a médica no comunicado de apresentação.
Apresentado em Lisboa, a 14 de outubro, o INMethod organiza o acompanhamento da saúde da mulher em cinco dimensões, designadas Mover, Nutrir, Equilibrar, Cuidar e Partilhar. Para quem chega sem saber que consulta marcar, a proposta é sair com as razões de cada encaminhamento e uma ordem de prioridades que consegue compreender.





















