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Teatro em Lisboa ganha acompanhamento gratuito para quem não consegue ir sozinho

Teatro em Lisboa passa a contar com acompanhamento gratuito em três salas, num projeto que procura facilitar o acesso à cultura na cidade.

Teatro em Lisboa: espectadores sentados numa sala de espetáculos, alguns com programas nas mãos
O Programa VEM facilita o acesso a espetáculos em três espaços culturais de Lisboa - ®DR

Há quem escolha um espetáculo, consulte os horários e acabe por desistir. Nem sempre é o preço do bilhete ou a programação que pesa na decisão: por vezes, é a falta de alguém que acompanhe a deslocação. Para estas pessoas, assistir a teatro em Lisboa pode voltar a ser possível com um serviço gratuito de acompanhamento, agora disponível em três espaços culturais da cidade.

O Programa VEM abrange o São Luiz Teatro Municipal, o Teatro Variedades e o Capitólio. Promovido pela EGEAC – Lisboa Cultura, com acompanhamento assegurado pelo VEM – Mobilidade com Dignidade, dirige-se a quem precisa de apoio humano para chegar a um espetáculo e regressar, incluindo pessoas com dificuldades de mobilidade ou limitações temporárias. O que está em causa é a necessidade de companhia naquele percurso.

Um Guia VEM encontra-se com a pessoa à porta de casa ou noutro local acordado, faz com ela a viagem até ao teatro, permanece no equipamento durante o espetáculo e acompanha-a no regresso. É uma resposta a uma dificuldade que, para quem costuma frequentar teatro em Lisboa sem depender de terceiros, pode passar despercebida.

Teatro em Lisboa: a acessibilidade começa antes da entrada

Ao falar de acessibilidade, é habitual pensar nas condições das salas: entradas adaptadas, lugares reservados, audiodescrição ou interpretação em Língua Gestual Portuguesa. São recursos importantes, mas não resolvem a dificuldade de quem não consegue organizar a deslocação. Ter condições para assistir a uma peça não significa, por si só, conseguir chegar ao local onde ela acontece.

Foi a identificação deste problema que levou a EGEAC a avançar com o projeto-piloto. Filipe de Sousa e Silva, da direção do Teatro Variedades e do Capitólio, refere que a iniciativa resulta de uma experiência acumulada no contacto com os espectadores. «Ao longo dos últimos anos, temos vindo a ouvir os desafios enfrentados pelos nossos públicos, muitas vezes ainda antes da chegada ao teatro», afirma.

A medida introduz, assim, uma dimensão diferente no debate sobre o acesso ao teatro em Lisboa. O objetivo não é alterar a programação nem criar sessões específicas, mas permitir que pessoas que já têm interesse nos espetáculos consigam deslocar-se até eles.

Daniela Seabra, fundadora e CEO do VEM – Mobilidade com Dignidade, associa a dificuldade de sair à perda de oportunidades de participação na vida da cidade. «A vida não deve ficar mais pequena quando a mobilidade se torna mais difícil», defende. A frase aponta para uma questão que ultrapassa a ida a uma sala: manter a possibilidade de escolher onde ir e como ocupar o tempo livre.

Como pedir acompanhamento para teatro em Lisboa

O apoio decorre, nesta fase, até 31 de dezembro de 2026 e depende da disponibilidade do programa. O pedido deve ser apresentado à bilheteira do espaço onde se realiza o espetáculo, presencialmente, por telefone ou por correio eletrónico, com pelo menos 48 horas de antecedência. É necessário adquirir o bilhete para a sessão pretendida.

O programa destina-se a quem necessita de companhia para ir ao teatro em Lisboa, mesmo quando essa dificuldade é temporária. A necessidade de acompanhamento é, por isso, o elemento central da iniciativa, sem que esteja limitada exclusivamente a pessoas idosas ou com deficiência.

O acompanhamento do Guia VEM é gratuito, mas importa distinguir este serviço do transporte. A viagem é realizada através do meio de deslocação escolhido pela pessoa, que suporta os respetivos custos. O programa também não presta cuidados de saúde nem substitui assistência pessoal.

Para quem procura teatro em Lisboa e necessita deste tipo de apoio, a experiência está limitada aos três equipamentos envolvidos. O projeto-piloto permitirá à EGEAC conhecer melhor a utilização do serviço, embora não esteja anunciada qualquer extensão a outras salas.

A diferença é concreta: um percurso que antes dependia da disponibilidade de um familiar ou amigo passa a poder ser feito com acompanhamento organizado. E, para algumas pessoas, isso basta para que uma ida ao teatro em Lisboa deixe de ficar apenas nos planos.

aNOTÍCIA.pt