
A passagem sucessiva das depressões, primeiro Kristin e logo de seguida Leonardo, está a deixar um rasto profundo de destruição em várias regiões do país, com cheias extensas, infraestruturas danificadas e milhares de pessoas afetadas. Imagens aéreas recolhidas pela Força Aérea revelam a verdadeira dimensão da tragédia, mostrando vastas áreas submersas e margens de rios completamente galgadas.
Os registos captados pelo avião P-3C CUP+ no âmbito de missões de monitorização abrangem zonas críticas como a Figueira da Foz, o rio Sado, Castelo do Bode, Santarém, Alverca e o sul do distrito de Santarém, bem como os cursos dos rios Tejo, Mondego e a faixa costeira mais atingida. A informação recolhida tem sido fundamental para identificar cheias, avaliar danos em infraestruturas e localizar populações em risco.
Perante o agravamento das condições meteorológicas provocado pelas depressões, Kristin e agora Leonardo, a Força Aérea reforçou significativamente o seu dispositivo de alerta, garantindo aeronaves prontas a descolar para missões de reconhecimento visual, transporte aéreo, busca e salvamento. Dois helicópteros AW119 Koala e o P-3C CUP+ estão empenhados na recolha de dados operacionais, partilhados em tempo real com as entidades de proteção civil, apoiando a tomada de decisão no terreno.
Também o Exército mantém um dispositivo de apoio às populações, com presença em 19 municípios de cinco distritos. As equipas militares realizam ações de limpeza e desobstrução, engenharia, reforço de comunicações, fornecimento de energia e iluminação, bem como operações de busca, evacuação e apoio logístico, incluindo alojamento temporário.
Face ao risco acrescido na bacia hidrográfica do Mondego, foram ainda pré-posicionados meios para intervenção rápida, abrangendo capacidades de bombagem, instalação de barreiras de contenção, recuperação de viaturas, transporte todo-o-terreno, equipas de botes, apoio sanitário e intervenção psicológica. Uma Equipa de Informação Geoespacial encontra-se igualmente ativa, produzindo cartografia e produtos de satélite para acompanhamento permanente das áreas inundadas.
A Marinha tem concentrado esforços na reparação elétrica e manutenção de geradores, bem como na contenção e reparação de danos em habitações nas zonas de Leiria, Coimbra e Batalha. Foram já removidas seis toneladas de destroços de árvores junto de escolas e estradas, retiradas cerca de 66 toneladas de resíduos do rio Lis, em Leiria, e desobstruídos aproximadamente dez quilómetros de vias rodoviárias.
Em Alcácer do Sal, elementos da Direção de Combate à Poluição do Mar continuam a reforçar a capacidade de escoamento das áreas inundadas, tendo sido já esgotados mais de dois mil metros cúbicos de água. Perante a previsão de chuva intensa, encontram-se igualmente 39 botes posicionados para resposta imediata nas zonas ribeirinhas com maior risco de cheias.
A resposta coordenada das Forças Armadas evidencia o esforço nacional para mitigar os efeitos das depressões Kristin e Leonardo, numa corrida contra o tempo para proteger vidas, apoiar comunidades e restaurar condições mínimas de normalidade num país duramente atingido por dois fenómenos meteorológicos extremos consecutivos.
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