
O Congresso da AHRESP reuniu em Lagoa empresários, responsáveis políticos e especialistas para discutir o futuro da restauração e da hotelaria, num setor que enfrenta dificuldades para conciliar crescimento, rentabilidade e valorização profissional.
Sob o tema “A Arte do Conhecimento – Onde a intuição encontra o algoritmo”, o encontro destacou a necessidade de encontrar soluções para os problemas das empresas, sem perder a hospitalidade e a relação humana que distinguem estas atividades.
Entre preocupações económicas, novas estratégias e oportunidades tecnológicas, o Congresso da AHRESP colocou em discussão o que precisa de mudar para garantir um futuro mais sustentável ao setor.
Congresso da AHRESP debate os desafios das empresas
Carlos Moura, presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), alertou para as dificuldades enfrentadas pelos estabelecimentos, apesar da importância económica e social da atividade.
O aumento dos custos energéticos e salariais, a burocracia e as limitações no acesso ao financiamento estiveram entre as principais preocupações apresentadas. O dirigente defendeu medidas que simplifiquem a gestão das micro e pequenas empresas, permitindo melhorar os rendimentos dos trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade dos negócios.
A intervenção destacou ainda o papel dos restaurantes e cafés nas comunidades, particularmente nas localidades mais pequenas, onde estes espaços contribuem para dinamizar a economia e preservar o convívio.
Governo aborda financiamento e valorização profissional
Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, apresentou no Congresso da AHRESP a perspetiva do Governo sobre os desafios enfrentados pelos empresários.
O governante abordou as 27 propostas apresentadas pela associação para o Orçamento do Estado de 2027, relacionadas com fiscalidade, emprego, financiamento e investimento.
A necessidade de criar condições para valorizar os salários, atrair profissionais qualificados e melhorar o acesso ao financiamento esteve entre os temas discutidos.
Pedro Machado referiu igualmente a Estratégia Turismo 2035, orientada para a criação de maior valor económico e uma distribuição mais equilibrada dos benefícios da atividade turística pelos diferentes territórios.
Restauração 2035 apresenta propostas para modernizar o setor
A Visão Estratégica da Restauração 2035 constituiu um dos momentos de destaque do Congresso da AHRESP, com propostas destinadas a melhorar a sustentabilidade e a competitividade das empresas.
Entre as medidas apresentadas estão novos instrumentos de financiamento e microcrédito, a criação de um sistema nacional de informação sobre a restauração e um índice de sustentabilidade empresarial que permita identificar antecipadamente situações de dificuldade.
A estratégia contempla também formação especializada, valorização das profissões e maior utilização de ferramentas digitais, procurando preparar os estabelecimentos para os desafios da próxima década.
A importância da gestão foi igualmente abordada por Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, que participou no Congresso da AHRESP numa conversa sobre produtividade, diferenciação da oferta e capacidade de adaptação às mudanças do mercado.
Algarve defende cooperação para reforçar o turismo
O desenvolvimento regional marcou também o Congresso da AHRESP, com André Gomes, presidente do Turismo do Algarve, a salientar a importância da colaboração entre entidades públicas, empresas e associações. A mobilidade, a diversificação da oferta e o planeamento estratégico surgiram como prioridades para reforçar a competitividade turística e promover um crescimento mais equilibrado.
A abertura contou ainda com a presença de Luís Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Lagoa, e com uma intervenção de José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve.
Gastronomia e hospitalidade ganham destaque no Congresso da AHRESP
A gastronomia portuguesa esteve também em evidência, com Carlos Moura a defender uma maior projeção internacional dos produtos regionais e das tradições culinárias nacionais.
Miguel Poiares Maduro acrescentou uma reflexão sobre a importância económica e social da gastronomia, defendendo maior reconhecimento nas políticas públicas. O antigo ministro destacou a ligação entre alimentação, cultura e identidade coletiva, valorizando a hospitalidade enquanto elemento das relações humanas.
Esta dimensão cultural cruzou-se com a discussão sobre inteligência artificial, num setor onde a tecnologia pode contribuir para melhorar a gestão, mas não substitui a proximidade e o atendimento personalizado.
A inteligência artificial ganhou também espaço no Congresso da AHRESP, com a análise de dados e a automatização de tarefas apontadas como ferramentas capazes de apoiar os empresários e melhorar a qualidade do serviço.
O encontro que decorre nos dias 22 e 23 de outubro, no Centro de Congressos de Lagoa, no Algarve, assinala os 130 anos da associação.
Entre as dificuldades económicas, a qualificação profissional e as oportunidades digitais, o Congresso da AHRESP evidencia o desafio de preparar a restauração e a hotelaria para o futuro, preservando a identidade e a hospitalidade que caracterizam o setor.




















