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Estoril Folk Fest 2026 reúne Vitorino e vozes de um Portugal que não esquece as suas raízes

O Estoril Folk Fest junta Vitorino, Ana Laíns e vozes tradicionais de várias regiões numa edição dedicada à diversidade das polifonias.

Cartaz do Estoril Folk Fest 2026, festival de música tradicional portuguesa dedicado às polifonias, no Casino Estoril
Cartaz do Estoril Folk Fest 2026, dedicado às polifonias e com Vitorino como cabeça de cartaz - ®DR

De Arouca ao Algarve, passando pelo Alentejo, a música tradicional portuguesa encontra diferentes formas de expressão, mas também pontos de contacto entre gerações, intérpretes e comunidades. É essa diversidade que o Estoril Folk Fest coloca em evidência na edição de 2026, dedicada às polifonias e marcada pela presença de Vitorino, que celebra cinco décadas de carreira.

O encontro realiza-se a 28 de novembro, no Casino Estoril, e distribui-se por dois espaços: o foyer panorâmico, reservado ao início da programação, e o Salão Preto e Prata, onde decorrem os concertos da noite. Arouca é a região convidada do Estoril Folk Fest, cuja programação começa por explorar a relação entre a história local e as suas tradições musicais.

Arouca abre o programa com histórias e cantas

Às 18h00, o colóquio «Arouca a Botar Cantas» abre o Estoril Folk Fest no foyer panorâmico. A conversa centra-se no Convento de Arouca, na figura da Rainha Santa Mafalda e nas cantas tradicionais arouquenses. O programa contempla também uma exposição dedicada ao convento e à Rainha Santa Mafalda, dois elementos importantes da memória histórica daquela região.

A escolha de Arouca não se limita, por isso, a uma referência geográfica. O canto polifónico feminino, marcado pela sobreposição e articulação de diferentes vozes, ocupa um lugar central na identidade musical que a região apresenta no Estoril. As chamadas «Cantas», transmitidas através da prática coletiva, permitem reconhecer uma tradição vocal distinta de outras expressões populares portuguesas. A sua presença no festival permite ainda relacionar o património musical com as comunidades que continuam a interpretá-lo.

O primeiro momento musical chega às 18h50, com as Vozes da Terra. O grupo interpreta precisamente esse repertório arouquense e regressará mais tarde ao palco principal. Assim, o Estoril Folk Fest começa com o contexto histórico e passa, pouco depois, à música que lhe está associada, estabelecendo uma ligação direta entre a conversa inicial e os espetáculos.

Estoril Folk Fest cruza as vozes de Arouca e do Algarve

A programação noturna começa às 21h30, no Salão Preto e Prata, novamente com as Vozes da Terra. A sua presença nos dois momentos do festival estabelece a passagem do programa da tarde para os concertos da noite, mantendo Arouca no centro da edição dedicada às polifonias.

Às 21h45, a atenção desloca-se para o Algarve. As Moçoilas, formação feminina ligada ao repertório tradicional algarvio, apresentam-se com Ana Laíns, acompanhadas por Paulo Loureiro e José Salgueiro. A proposta aproxima diferentes interpretações da música de raiz popular e traz ao mesmo palco vozes associadas a percursos e experiências distintas.

A presença das Moçoilas acrescenta outra geografia ao Estoril Folk Fest. O programa deixa ouvir tradições de diferentes regiões sem as reduzir a uma única ideia de música popular. São distintas as origens dos repertórios, os modos de interpretação e as histórias que os acompanham.

Vitorino celebra 50 anos de carreira e recebe distinção

A partir das 22h45, o protagonismo passa para Vitorino. Antes do concerto, o músico recebe a segunda edição do Prémio Armando Carvalheda, distinção que reconhece o seu percurso ligado à música tradicional portuguesa. A homenagem integra o Estoril Folk Fest num ano em que o cantor celebra 50 anos de carreira.

Dez minutos depois, às 22h55, Vitorino apresenta «Moda Impura» com os Cantadores do Redondo. O espetáculo recupera a sua ligação ao canto alentejano, que atravessa uma parte importante do seu trabalho artístico, e coloca as vozes coletivas ao lado de um dos intérpretes mais reconhecidos da música portuguesa.

A participação dos Cantadores do Redondo prolonga o tema central da edição até ao último concerto. Depois das cantas arouquenses e das interpretações algarvias, o Alentejo encerra o programa com uma expressão musical igualmente marcada pela importância do grupo.

Entre Arouca, Algarve e Alentejo, o Estoril Folk Fest constrói um percurso que começa na memória histórica de uma região e termina no palco com Vitorino. No centro de tudo está uma prática simples, mas exigente: cantar com os outros e manter essas canções em circulação.

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