
O turismo português voltou a assumir o centro do debate económico nacional na Conferência do Dia Mundial do Turismo, realizada esta segunda-feira, 29 de setembro, no Centro de Espetáculos do Tróia Design Hotel, em Tróia, sob o lema “Turismo é Portugal”. O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, foi claro: “O turismo português não pode crescer mais sem ter um novo aeroporto”.
Na presença do primeiro-ministro, Luís Montenegro, Calheiros reforçou a necessidade de estabilidade governativa, decisões rápidas e condições fiscais mais favoráveis. Mas foi o novo aeroporto que concentrou a sua crítica mais incisiva: “Passa o tempo e nada anda. Estou mesmo em crer que não vou ver o aeroporto de Alcochete”, lamentou, defendendo também a ferrovia como alternativa para aliviar dezenas de voos diários da Portela. O líder da CTP voltou ainda a exigir a privatização total da TAP e pediu um SIMPLEX para o turismo que reduza burocracias e aumente competitividade.
Para José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, esta edição do evento teve um significado especial: pela primeira vez a conferência decorreu no Alentejo. Um momento que, segundo o responsável, “credibiliza o trabalho realizado nos últimos dois anos e meio” e projeta a região como espaço central de debate sobre os desafios e ambições do setor.
O primeiro-ministro, Luis Montenegro, respondeu aos apelos com garantias firmes: “Seja na frente rodoviária, ferroviária ou no novo aeroporto, nós vamos mesmo realizar”. Montenegro assegurou que o Governo está mais empenhado em agir do que em anunciar, e que a nova infraestrutura aeroportuária em Lisboa sairá finalmente do papel. O governante destacou ainda o papel do turismo como motor de exportações, investimento e coesão territorial, prometendo menos burocracia, redução fiscal para os mais jovens e reforço da segurança como fator de atratividade.
A encerrar, Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que “Turismo é Portugal” não é apenas um lema, mas uma realidade. Recordou a proximidade mantida com o setor durante a pandemia, defendeu a aposta na qualidade em detrimento da quantidade e destacou o impacto positivo do turismo residencial. O Presidente da República alertou ainda para os desafios futuros: “O turismo exige melhor educação, melhor ciência, maior sustentabilidade e melhor administração pública”.
No final, ficou claro o consenso: a competitividade do setor, que já é um dos principais motores da economia nacional, dependerá da capacidade de execução política e, sobretudo, da concretização urgente do novo aeroporto.



















