
Há lugares onde o tempo parece ter outra cadência. A Aldeia da Parada, a cerca de 20 quilómetros de Bragança, é um desses raros territórios onde a pausa não é atraso, mas condição essencial para que as coisas aconteçam bem. É aqui que nasce o Alto do JOA 2017, um vinho que traduz a essência de Trás-os-Montes e o reencontro profundo entre um homem, a sua terra e a memória das vinhas.
Produzido pela Casa do JOA, o Alto do JOA 2017 é um Vinho Regional Transmontano que resulta de um património vitícola verdadeiramente excecional: vinhas velhas com mais de 120 anos, muitas delas pré-filoxera e em pé franco, plantadas a cerca de 800 metros de altitude. Num solo dominado pelo xisto e sujeito a grandes amplitudes térmicas, estas vinhas oferecem uvas de mais de vinte castas diferentes, por vezes coexistindo na mesma cepa, num exercício natural de alquimia que hoje seria impossível de reproduzir.
No copo, o vinho revela uma delicada cor rubi com reflexos granada, límpida e brilhante. No nariz, o Alto do JOA 2017 apresenta-se com elegância e complexidade: um pot-pourri de frutos vermelhos — cereja, amora, groselha e ameixa em compota subtil — envolvido por notas frescas de menta, funcho e tomilho. As especiarias surgem com discrição, onde a pimenta preta e um leve toque de canela se cruzam com apontamentos de sous bois, acrescentando profundidade e carácter.
Em boca, confirma-se a promessa aromática. É um vinho seco, de acidez equilibrada, corpo elegante e taninos firmes, mas macios, que asseguram longevidade e uma persistência muito agradável. O final é longo e preciso, com um retrogosto marcado por notas de confitura de cereja, revelando um perfil simultaneamente delicado e seguro.
O estágio de 28 meses em barricas francesas usadas respeita a identidade do vinho, permitindo que o terroir e as castas falem mais alto do que a madeira. A fermentação com leveduras indígenas reforça o carácter autêntico e artesanal deste projeto, que alia práticas tradicionais a uma visão contemporânea da enologia.
Versátil à mesa, o Alto do JOA 2017 harmoniza com pratos de conforto e tradição, como um coq au vin ou uma chanfana de borrego, mas também com propostas mais delicadas à base de aves de caça, leitão, coelho ou lebre. Surpreende ainda em combinações menos óbvias, como pratos vegetarianos de berinjela, grão-de-bico ou tofu fumado, e há mesmo quem o recomende — com ousadia e convicção — para acompanhar atum fresco ou sardinhas.
O Alto do JOA 2017 nasce de um regresso às origens e de uma escolha consciente pelo tempo longo. Foi na Aldeia da Parada que Jorge Ortega Afonso encontrou o lugar certo para reconstruir uma casa, transformar um antigo palheiro em adega e dar forma a vinhos que respeitam a história das vinhas e da terra. Na Casa do JOA, tradição e precisão enológica convivem de forma natural, resultando num vinho que traduz identidade, memória e uma paixão vivida sem pressa.




















