
A Visit Portugal Conference 2026 arrancou em Lisboa com uma mensagem clara do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado: o setor deve manter a trajetória de crescimento, reforçar o investimento em sustentabilidade e melhorar os instrumentos de gestão da atividade turística.
Na abertura da 4.ª edição da conferência, promovida pelo Turismo de Portugal e realizada na Estufa Fria, o governante adiantou que as expectativas apontam para um crescimento de pelo menos 5% nas receitas turísticas em 2026 e uma subida de 2,5% nos fluxos. A meta surge depois de o setor ter alcançado, dois anos antes do previsto, os objetivos definidos para 2027.
A nova Estratégia Turismo 2027, a apresentar em breve, terá como eixos prioritários o reforço da sustentabilidade e uma gestão mais eficiente da atividade. Pedro Machado sublinhou que o turismo representa atualmente entre 12% e 14% do PIB — podendo atingir 19% ou 20% quando considerados efeitos diretos, indiretos e induzidos — e assegura entre 400 mil e 450 mil postos de trabalho diretos.
Durante a sua intervenção na Visit Portugal Conference 2026, o secretário de Estado procurou desmontar a ideia de que Portugal enfrenta um problema estrutural de “overtourism”. Admitindo que existem zonas com maior pressão, defendeu uma gestão mais eficaz dos fluxos turísticos, apoiada na tecnologia e na inteligência artificial, permitindo distribuir melhor a procura e reduzir concentrações excessivas. A utilização de ferramentas digitais para gestão de tráfego e a diversificação da oferta foram apontadas como prioridades.
A estratégia passa igualmente pela diversificação de mercados emissores e pelo reforço da conectividade aérea, sobretudo de longo curso. Entre os mercados identificados estão China, Japão e Coreia do Sul, bem como México e Argentina, além do reforço das ligações ao Brasil, Estados Unidos e Canadá. Pedro Machado manifestou confiança na superação dos resultados de 2025.
Por seu turno, o presidente do Turismo de Portugal, Carlos Abade, na sua intervenção de encerramento da Visit Portugal Conference 2026, sublinhou a responsabilidade do turismo enquanto ativo estratégico nacional. Para 2026, defendeu a necessidade de “crescer com mais impacto”, promovendo maior equilíbrio regional na distribuição de valor e uma redução da sazonalidade.
Carlos Abade salientou que o setor deve posicionar-se em torno de cinco vetores: valor, impacto, futuro, tecnologia e sustentabilidade. Identificou três desafios determinantes para aumentar o crescimento em valor: conhecimento — para decisões mais informadas —, tecnologia e inteligência artificial — para liderar a transformação — e cooperação — essencial para acelerar resultados. Defendeu ainda uma atitude inovadora e criativa por parte das empresas, capaz de gerar propostas diferenciadas e maior valor acrescentado.
A Visit Portugal Conference 2026, realizada a 24 de fevereiro em Lisboa, reuniu especialistas nacionais e internacionais para analisar tendências e dinâmicas nos principais mercados emissores, da Europa à Ásia e às Américas. Ao longo do dia, foram apresentados estudos relativos a cerca de 13 mercados externos, proporcionando às empresas uma leitura estratégica da evolução da procura turística.
Num contexto de forte concorrência entre destinos e aceleração digital, a conferência abordou ainda o impacto dos algoritmos na visibilidade dos destinos, a influência das narrativas na decisão de viagem e o papel dos grandes eventos como instrumentos de projeção internacional. A iniciativa consolida o posicionamento da Visit Portugal Conference 2026 como plataforma de reflexão estratégica e capacitação para a internacionalização das empresas do setor.





















