
Nem todas as viagens começam com um destino marcado no mapa. Algumas começam com a vontade de desaparecer por umas horas da pressa, das notificações e da rotina. É nessa ideia que o Turismo Centro de Portugal assenta uma nova fase da sua promoção, com dois projetos que procuram mostrar a região para lá do verão e dos lugares mais óbvios.
Apresentadas na Nazaré, as iniciativas “Desapareça um Bocadinho” e “100 Destino no Centro de Portugal” seguem linguagens diferentes, mas respondem ao mesmo desafio: levar visitantes a circular por mais territórios e em mais momentos do ano.
Quando desaparecer significa viajar
A campanha “Desapareça um Bocadinho” abandona a lógica de mostrar apenas aquilo que existe e tenta responder a outra pergunta: o que pode uma viagem fazer sentir? Produzida pela Lobby Films and Advertising, parte da ideia de que paisagens, património e gastronomia continuam a ser essenciais, mas já não chegam, por si só, para distinguir um destino num universo saturado de imagens.
Os 17 filmes criados para a campanha seguem uma estrutura simples. Há um lugar, uma ação e uma emoção. No momento mais significativo da experiência, a personagem desaparece da imagem e ficam apenas o cenário e os sinais da sua presença.
A metáfora é direta: sair por instantes do ruído quotidiano para reaparecer numa caminhada, numa refeição, num mergulho, numa viagem em família ou num encontro com a natureza.
É também por aqui que o Turismo Centro de Portugal procura quebrar a associação entre turismo e época alta. A campanha inclui praia no inverno, neve na Serra da Estrela, florestas no outono, rios, aldeias, termas, gastronomia, vinhos, património, espiritualidade e turismo ativo.
“O verão termina, o Centro de Portugal não termina. Somos uma região para 365 dias”, afirmou Rui Ventura, presidente da entidade regional de turismo.
100 municípios transformados em episódios
Se a primeira campanha trabalha a emoção, “100 Destino no Centro de Portugal” aposta na curiosidade e na descoberta. Ao longo de cerca de dois anos, Miguel Mendes Pedro e Mariana Moreno vão percorrer os 100 municípios abrangidos pela entidade regional, com um episódio dedicado a cada território.
A série foi pensada de raiz para o digital, com uma linguagem informal e próxima dos públicos que encontram nas redes sociais inspiração para viajar. Nos primeiros dois meses, serão publicados dois episódios por semana; posteriormente, a periodicidade passa a semanal.
Cada episódio procura revelar experiências, pessoas e características próprias de um município, construindo progressivamente um retrato da região sem uniformizar aquilo que distingue cada território.
O projeto não se limita aos vídeos. Uma Web App em formato de passaporte digital permite registar destinos visitados, desbloquear selos e acompanhar o percurso feito pela região. A componente de gamificação prolonga a relação com a série, mas foi concebida para incentivar a experiência no terreno.
“Há uma ideia para nós que é fundamental: o digital não deve substituir. Aliás, o digital deve criar a vontade para as pessoas viajarem no território”, sublinhou Rui Ventura.
Centro de Portugal procura distribuir melhor a procura
Por trás das duas iniciativas existe também uma questão económica. O Turismo Centro de Portugal quer aproveitar a notoriedade de destinos como a Nazaré para abrir caminho à descoberta de localidades menos conhecidas, evitando que os fluxos turísticos fiquem concentrados num número reduzido de pontos e nos meses tradicionalmente mais procurados.
A estratégia ganha particular relevância depois de uma primeira metade de 2026 marcada pelos efeitos das tempestades e inundações em vários territórios, com impacto nas populações, empresas, infraestruturas e atividade turística.
A entidade regional junta agora estes projetos a outras iniciativas em desenvolvimento, como “A Caminho das Estrelas”, ligada à gastronomia e à Gala MICHELIN Portugal 2027, em Coimbra, e o MOVE Centro Portugal, dedicado ao turismo ativo e desportivo.
O objetivo comum passa por fazer com que o Centro de Portugal seja percebido como uma região feita de experiências distintas, distribuídas por diferentes geografias e estações. Uma estratégia que procura reduzir a dependência da época alta e transformar a diversidade do território em razões concretas para viajar ao longo de todo o ano.





















