
Oito chefs chegam a Matosinhos com territórios diferentes para representar e a mesma matéria-prima no centro do desafio: o pescado. No Troféu Portugal, não basta dominar técnicas ou surpreender no empratamento. Cada concorrente terá de transformar ingredientes, referências e identidade regional num prato capaz de explicar, à mesa, de onde vem.
É precisamente essa relação entre cozinha e território que distingue a sexta edição da competição. Representantes de oito regiões do continente e ilhas vão medir técnica, criatividade e conhecimento dos produtos numa prova que escolheu Matosinhos para colocar a ligação portuguesa ao mar no centro da disputa.
Troféu Portugal junta oito regiões à mesma mesa
O Troféu Portugal reúne representantes do Porto, Lisboa, Norte, Centro, Alentejo e Ribatejo, Algarve, Madeira e Açores. Hugo Portela, do Cibû, representa o Porto; Mauro Álison, Lisboa; Helena Castro, do Cambo, o Norte; Miguel Meneses, o Centro; Luís Lopes, do M’ar de Ar Hotels, o Alentejo e Ribatejo; Nuno Martins, do Numa, o Algarve; Sofia Gonçalves, do Royal Savoy Resort, a Madeira; e Paulo Costa, do Caldeiras & Vulcões, os Açores.
A escolha de Matosinhos acrescenta significado ao tema desta edição. A cidade mantém uma ligação histórica ao Atlântico, à pesca e à indústria conserveira, atividades que ajudaram a moldar a economia, a paisagem e também a cultura gastronómica local. O pescado surge, por isso, não apenas como ingrediente obrigatório, mas como ponto de encontro entre a competição e o território anfitrião.
A prova segue um formato de liga. Nos dois primeiros dias realizam-se quatro desafios, dois por dia, com três horas de duração cada. Os participantes acumulam pontuação e apenas os dois mais bem classificados avançam para a final, disputada no último dia perante júri e público.
As provas do Troféu Portugal serão acompanhadas por momentos de degustação, permitindo observar de perto o trabalho dos chefs e perceber como se constrói um prato sob pressão. A componente pública aproxima a cozinha profissional dos visitantes sem retirar protagonismo ao rigor técnico da competição.
Técnica, sabor e identidade sob avaliação
A avaliação ficará a cargo de um painel ligado à gastronomia nacional. Louis Anjos, do Verdelago Resort, assume a presidência do júri, acompanhado por Manuela Brandão, do Pap’Açorda, pela investigadora Olga Cavaleiro e por Catarina Correia, da Casa de Chá da Boa Nova. António Queirós Pinto, vencedor da edição de 2025, participa como jurado observador.
No Troféu Portugal, serão avaliados aspetos como apresentação, empratamento, sabor, aroma, pontos de cozedura, texturas, valor económico, execução comercial e acondicionamento dos produtos. O objetivo passa por encontrar equilíbrio entre técnica, criatividade e coerência com a região representada.
O território também entra no debate
Para além da competição, o programa inclui sessões com produtores regionais dedicadas à relação entre cozinha, território e mar. A presença de quem trabalha diretamente com os produtos acrescenta contexto ao Troféu Portugal e coloca em discussão temas como origem, identidade gastronómica e sustentabilidade das comunidades produtoras.
Integrado no evento Out Of The Blue, o Troféu Portugal decorre no Jardim Senhor do Padrão. As primeiras provas realizam-se a 3 de outubro, seguindo-se duas novas rondas no dia seguinte. A final acontece a 5 de outubro, antes da cerimónia de entrega de prémios. O vencedor recebe 3.500 euros.
Troféu Portugal chega à sexta edição
O historial da competição ajuda a perceber a dimensão que conquistou no panorama gastronómico nacional. Entre os vencedores anteriores estão Rui Martins, Rodrigo Castelo, Duarte Eira, Filipe Ramalho e António Queirós Pinto, nomes associados a diferentes regiões e projetos de cozinha portuguesa.
Na sexta edição, o Troféu Portugal mantém a representação territorial como elemento central, mas concentra o desafio num tema profundamente ligado ao país: o mar. Para os oito concorrentes, cozinhar bem será apenas parte da equação. O verdadeiro teste estará em conseguir que técnica, produto e memória regional falem a mesma linguagem dentro do prato.


















