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Chave Michelin volta a ser atribuída às Casas da Lapa

A Chave Michelin foi atribuída pelo segundo ano consecutivo às Casas da Lapa, hotel de cinco estrelas onde design, bem-estar e natureza marcam a estadia

Chave Michelin nas Casas da Lapa com piscina e vista sobre a paisagem da Serra da Estrela
A piscina e o terraço das Casas da Lapa abrem-se para a paisagem de Lapa dos Dinheiros, no coração da Serra da Estrela - ®DR

O Guia Michelin voltou a distinguir as Casas da Lapa com uma Chave Michelin pelo segundo ano consecutivo. O reconhecimento destaca um hotel de cinco estrelas onde a arquitetura, o serviço personalizado e o ritmo da montanha definem a estadia.

Entre casas recuperadas, granito, madeira e burel, o projeto familiar cresceu sem perder a escala intimista. As peças de design e as janelas amplas aproximam os interiores de uma paisagem que muda com as estações, enquanto o silêncio e o conforto deixam o tempo correr sem pressa.

No sistema Michelin, uma Chave identifica uma estadia muito especial. Nas Casas da Lapa, o reconhecimento ganha forma numa hotelaria de pequena escala, marcada por pormenores que se revelam ao longo de uma noite, de uma refeição ou de uma manhã sem horários apertados.

Casas da Lapa recebem Chave Michelin por uma estadia com identidade

O Guia Michelin atribui a distinção depois de analisar cinco critérios: arquitetura e design de interiores, qualidade e consistência do serviço, personalidade e carácter do espaço, contributo para a envolvente e para a comunidade local e relação entre a qualidade e o preço. A atribuição da Chave Michelin depende, assim, da coerência do conjunto e não de uma única comodidade.

Nas Casas da Lapa, esses elementos encontram-se num hotel que prefere a intimidade às grandes dimensões. São sete quartos e oito suites, todos diferentes na disposição e na orientação, consequência da forma como as construções foram recuperadas e interligadas. Algumas unidades incluem banheiras panorâmicas, terraços privativos e vistas abertas sobre o vale. A diversidade dos alojamentos é uma das componentes da estadia distinguida com Chave Michelin.

Na descrição dedicada ao hotel, o Guia Michelin realça a casa original do século XIX, a incorporação de uma antiga casa de pastores e o equilíbrio entre conforto contemporâneo e materiais como a pedra e a madeira. Destaca ainda a biblioteca, o spa, as piscinas e a cozinha assente em produtos frescos, locais e sazonais.

Para Maria Manuel Silva, proprietária das Casas da Lapa, a nova atribuição da Chave Michelin traduz o trabalho desenvolvido ao longo de duas décadas. “É muito bom ver o nosso trabalho reconhecido por um Guia como o Michelin. O nosso foco nas Casas da Lapa é sempre proporcionar a melhor estadia aos nossos clientes, de modo a terem uma experiência memorável”, afirma.

Das ruínas à Chave Michelin

A história começou em 2005, com a aquisição de uma casa em ruínas em Lapa dos Dinheiros, terra natal de Nuno, marido de Maria Manuel Silva. Uma viagem a Itália tinha mostrado à proprietária o potencial de um turismo rural capaz de unir a vida de uma pequena localidade ao conforto de uma unidade cuidada.

O projeto arrancou com seis casas e foi crescendo de forma gradual. Depois de uma renovação integral, concluída em 2020, passou a assumir-se como hotel de cinco estrelas. A arquitetura, assinada por Jorge Teixeira Dias, reinterpretou as construções tradicionais da região sem apagar a identidade da Lapa dos Dinheiros. Esta transformação criou as bases do hotel que viria a receber a Chave Michelin.

O granito e a madeira reforçam a ligação à montanha, enquanto o burel surge em mantas, almofadas, fundos de cama e cadeiras. O mobiliário português e dinamarquês dos anos 1950 introduz uma linguagem depurada, pontuada por obras de arte e por peças como as cadeiras Olaio. Este diálogo entre tradição e design reforça a identidade de um projeto distinguido com Chave Michelin.

Até uma “buraca”, elemento tradicional escavado na parte posterior de algumas casas da aldeia, ganhou uma leitura contemporânea. Na biblioteca, esse espaço foi transformado num recanto de leitura resguardado, junto de livros de autores portugueses e estrangeiros. A sala de cinema, a sala de jogos e o ginásio completam as áreas comuns sem retirar protagonismo ao ambiente doméstico.

Maria Manuel Silva, professora de Química Farmacêutica na Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, acompanha os pormenores do projeto, embora não trabalhe diariamente no hotel. Os filhos e os pais também se envolveram num percurso familiar pensado como uma expressão contemporânea da cultura de montanha.

O tempo sem pressa marca a estadia com Chave Michelin

O luxo discreto das Casas da Lapa revela-se sobretudo na forma como o dia é organizado. O pequeno-almoço começa às 9h00, mas não termina a uma hora rígida. À tarde, a sala recebe bolo caseiro e sumos naturais, num lanche disponível para quem regressa de um passeio ou prefere ficar a ler.

A flexibilidade estende-se ao serviço de quarto, aos jantares fora dos horários habituais e, quando a ocupação o permite, à saída tardia. A proposta procura acompanhar o ritmo de cada hóspede, em vez de obrigar todos a seguir a mesma rotina. Essa disponibilidade integra a forma de receber associada a uma estadia com Chave Michelin.

Num hotel distinguido com Chave Michelin, o bem-estar ocupa uma parte importante da estadia. O spa trabalha tratamentos personalizados de aromaterapia, definidos de acordo com o perfil de cada pessoa, e integra propostas de massagem, reflexologia, drenagem linfática e quinesiologia. À piscina interior juntam-se duas piscinas exteriores, permitindo alternar os tratamentos com momentos junto à água.

As aulas de ioga ao amanhecer podem decorrer no exterior. Para quem prefere caminhar, a equipa prepara percursos e piqueniques destinados a acompanhar um dia na serra. A Rota da Caniça, a Rota da Garganta de Loriga e a Grande Rota das Aldeias Históricas estão entre as possibilidades indicadas a partir desta zona do Parque Natural da Serra da Estrela.

Há também pequenos trajetos até à praia fluvial da aldeia e à Senhora da Saúde, passeios de bicicleta e ligações a praias fluviais como as de Loriga, Vila Cova à Coelheira e Vale do Rossim. Barragens, canais e antigas centrais hidroelétricas ajudam a compreender a relação histórica entre a água, a montanha e as comunidades serranas.

Gastronomia local integra a estadia distinguida com Chave Michelin

No restaurante, exclusivo para hóspedes, os produtos da época orientam uma cozinha contemporânea com raízes na gastronomia regional. O pequeno-almoço, os jantares e os lanches acompanham essa lógica de proximidade, com sabores ligados à memória da Serra da Estrela e opções adaptadas a vegetarianos, veganos e pessoas com alergias ou intolerâncias alimentares. A mesa completa, assim, a experiência de um hotel reconhecido com Chave Michelin.

O compromisso com o território estende-se à gestão da unidade. A utilização de energia renovável, os sistemas eficientes de aquecimento, arrefecimento e iluminação, a possibilidade de reutilizar roupa de cama e toalhas e a redução de plásticos descartáveis fazem parte das práticas ambientais indicadas pelo hotel. A formação da equipa em sustentabilidade e património cultural procura manter essa política ligada à vida local.

A renovação da distinção pelo Guia Michelin não altera a escala das Casas da Lapa. Confirma, antes, a consistência de um hotel que encontrou na aldeia a sua identidade. Depois do jantar, a serra permanece do lado de fora das janelas; pela manhã, regressa à mesa, aos trilhos e à vista sobre o vale. Em Lapa dos Dinheiros, pernoitar significa ficar tempo suficiente para perceber como a paisagem entrou na arquitetura, no serviço e no ritmo da casa.

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