
Vancouver recebe durante quatro dias uma amostra concentrada da capacidade criativa e industrial portuguesa. Cerca de duas dezenas de marcas nacionais participam na Interior Design Show Vancouver, levando ao Canadá diferentes expressões da Fileira Casa e mostrando como o design português se afirma hoje através da ligação entre identidade, técnica, produção e novas linguagens estéticas.
A representação nacional surge sob a marca MADE IN PORTUGAL naturally e reúne empresas de áreas distintas, entre mobiliário, colchoaria, têxteis-lar, iluminação, cerâmica, tapeçaria e cutelaria. O objetivo é apresentar uma leitura conjunta de setores que, embora diferentes, partilham uma mesma base de conhecimento, capacidade produtiva e atenção crescente ao desenho e à diferenciação.
Design português num mercado atento à diferenciação
A Interior Design Show Vancouver chega à 22.ª edição como um dos principais encontros canadianos dedicados ao design de interiores e ao mobiliário. A feira junta profissionais, marcas e consumidores num espaço onde materiais, conceitos, soluções e tendências são avaliados por públicos com capacidade de decisão e interesse direto em arquitetura, decoração e renovação de interiores.
É neste ambiente que o design português procura ampliar a sua presença. Os dados divulgados pela organização ajudam a perceber o perfil do evento: cerca de 75% dos visitantes são proprietários de habitação, 80% têm entre 25 e 54 anos e mais de 64% admitem adquirir, no espaço de 12 meses, produtos ou serviços apresentados pelos expositores.
A estes números junta-se a presença de arquitetos, designers de interiores, promotores imobiliários, construtores e profissionais ligados à hotelaria, públicos particularmente relevantes para empresas que trabalham projetos, peças de autor ou soluções destinadas a espaços residenciais e comerciais.
Para Joaquim Carneiro, presidente da APIMA — Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins —, a projeção alcançada resulta de um percurso continuado das empresas nacionais.
“A crescente afirmação internacional da Fileira Casa portuguesa é o resultado da capacidade das nossas empresas para inovar, investir e criar produtos diferenciadores, sem perder a identidade que caracteriza o Made in Portugal”, afirma.
A ida a Vancouver permite, assim, colocar o design português diante de um público habituado a comparar propostas de diferentes geografias e tradições industriais. Essa exposição internacional funciona também como teste à capacidade das marcas nacionais para apresentar soluções que combinem estética, funcionalidade, materiais e execução técnica.
Fileira Casa reúne diferentes expressões do design português
Uma das particularidades da participação nacional está precisamente na amplitude da oferta. A Fileira Casa não se limita ao mobiliário e reúne setores que vão da iluminação à cerâmica, passando pelos têxteis-lar, colchoaria, tapeçaria e cutelaria.
Essa diversidade ajuda a compreender a evolução do design português, cada vez menos associado a uma única área e mais presente numa rede de indústrias capazes de trabalhar diferentes materiais, escalas e aplicações. Madeira, tecido, metal, cerâmica ou vidro podem surgir em produtos distintos, mas partilham frequentemente processos de desenvolvimento em que desenho e produção caminham lado a lado.
A participação coletiva procura ainda dar uma leitura mais completa do Made in Portugal. Em vez de apresentar empresas isoladas, o espaço nacional mostra um conjunto de competências que inclui criação, produção, acabamento e capacidade de adaptação a projetos específicos.
“Esta participação reflete uma estratégia contínua de internacionalização, que procura consolidar relações comerciais, abrir novas oportunidades de negócio e reforçar a competitividade das empresas portuguesas nos mercados externos”, acrescenta Joaquim Carneiro.
No mercado canadiano, essa abordagem permite aproximar a oferta portuguesa de profissionais envolvidos em projetos residenciais, comerciais e hoteleiros, áreas onde a personalização e a qualidade de execução podem assumir particular importância.
O design português chega, por isso, à IDS Vancouver como expressão de uma indústria que procura ocupar espaço internacional sem abandonar a identidade construída ao longo de décadas. A combinação entre saber-fazer, capacidade produtiva, linguagem contemporânea e diversidade de setores ajuda a explicar porque a Fileira Casa encontra neste tipo de eventos um ponto de contacto relevante com novos mercados.
Ao reunir diferentes áreas num mesmo espaço, a presença portuguesa permite ainda perceber como a fronteira entre indústria e criação se tornou cada vez menos rígida. É nesse encontro entre conhecimento técnico e desenho que o design português procura afirmar uma linguagem própria e reconhecível fora do mercado nacional.
Vancouver oferece, neste caso, um palco onde essa identidade pode ser observada em conjunto. Entre mobiliário, iluminação, cerâmica ou têxteis, a Fileira Casa apresenta várias faces de uma mesma capacidade produtiva, mostrando que o design português já não depende apenas da tradição: vive também da forma como essa tradição é reinterpretada para responder a novos espaços, novos consumidores e diferentes formas de habitar.



















